domingo, outubro 28, 2007

Sobre estar só

Às vezes é duro constatar certas verdades, e o peso da idade é uma delas. Não que eu esteja me sentindo um velho "caquético", muito pelo contrário, nunca me senti tão bem comigo mesmo, mas é que 30 anos não são mais 15. Sempre imaginei que ao chegar aos 30 estaria depressivo, triste, arrasado, me achando velho, mas em nenhum outro ano comemorei tanto uma primavera como em 2007. Porém, algumas idéias básicas de futuro não se concretizaram, como por exemplo de ter um filho.
Quando era pré-adolescente, dizia que sairia à rua à "caça" com o meu filho. Imaginava que, ao 20 anos, já teria o primeiro rebento. Uma década se passou e até agora nada disso aconteceu. É verdade que foi escolha minha, preferi esse caminho, mas sinto falta de uma esposa e de um filho e esse sentimento ficou mais forte hoje depois de ter conversado com a Fernanda (outra solteirona encalhada) no Churrasquinho Mú.
Algumas oportunidades surgiram e sempre pensei que algumas mulheres seriam as da minha vida:
- a primeira foi Kleyvia, amor platônico da adolescência;
- depois foi Mirelle que, assim como surgiu, sumiu;
- passei um tempo sem amores, até conhecer Rose. Nunca havia amado antes uma mulher assim. Foi muito bom e muito doloroso. Pedi essa mulher em casamento e ela sumiu. Depois apareceu, mas aí o "bonde da história" já tinha passado;
- depois veio Cláudia: nunca me senti tão "homem", tão maduro, tão realizado, e em nome de um sonho de futuro de vida profissional abandonei essa super-mulher;
- por último veio J, mulher fatal que me virou ao avesso, me fez sentir menino ao lhe desejar, imbecil ao te querer de todas as formas e inconsequente ao arriscar muita coisa que eu tinha.

Nunca me acertei com elas. Algumas por causa de mim e outras não sei o por quê! Só sei que o trem da história está passando, os primeiros vagões já estão adiante e eu ainda não embarquei nessa vida de homem casado e pai de família.

sábado, outubro 27, 2007

Definitivamente relaxei do meu blog. Já faz um tempão que não escrevo. De lá pra cá algumas coisas aconteceram: minha casa agora é outra (troquei todos os móveis), fui ao show da Marisa Monte, ao Morumbi assistir São paulo e Cruzeiro, tomar cerveja com a Fernanda e Josy, visitar o Bruno, que foi atropelado, ir ao aniversário do Loilson na casa dele e da Marcela na Sinuca (eles se separaram), dentre outras coisas. Bem, depois desse breve resumo, voltarei a digitar meus pensamentos com mais frequência!

sábado, setembro 22, 2007

Eu e Joelma

Estou na casa de Joelma, minha conterrânea. Estamos bebendo cerveja, afogando as mágoas de amores mal resolvidos e ouvindo Jota Quest e Bob Marley. A noite promete: iremos ao "Ó do Borogodó", casa de samba, para terminarmos a noite em muita azaração!!

segunda-feira, agosto 20, 2007

Eu não paro...

Quando eu vou parar e olhar pra mim
Ficar de fora
E olhar por dentro
Se eu não consigo
Organizar minhas idéias
Se eu não posso
Se eu esqueço de mim?
E eu pensei que fosse forte
Mas eu não sou

Quando eu vou parar pra ser feliz?
Que hora?
Se não dá tempo
Se eu não me encontro
Nos lugares onde eu ando
Nem me conheço
Viro o avesso de mim

Se eu não sei o que é sonhar
Faz tanto tempo
Tanto mar
E o meu lugar
É aqui?

Uma rua atravessada em meu caminho
Nos meus olhos
Mil faróis
Preciso aprender a andar sozinho
Pra ouvir minha própria voz
Quem sabe assim
Eu paro pra pensar em mim
Quem sabe assim
Eu paro pra pensar em mim



(Ana Carolina, Dudu Falcão e Lula Queiroga)

sábado, junho 23, 2007

Eu tenho andado tão sozinho ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho perecer

Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde prá plantar e prá colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer

Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizades
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão

Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde prá plantar e prá colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer

quarta-feira, junho 20, 2007

De ontem em diante

De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada ]
[ são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem

(Fernando Anitelli)

segunda-feira, junho 18, 2007

Torneio de Decisões Empresariais

Acabou o Torneio de Decisões Empresariais na ETE Aprigio Gonzaga, na Penha. O Torneio, organizado pela Junior Achievement em parceria com o Unibanco, é uma espécie de Jogos de Empresa em que eu era o orientador-voluntário. Foi simplesmente maravilhoso rever uma sala de aula, ser professor, transmitir conhecimento e aporender um pouco mais dessa nova geração! Já estou com saudades (snif) .

quinta-feira, junho 14, 2007

Romário é 1000 e eu sou 30

Romário fez o milésimo gol. Como era de se esperar do "peixe", houve comemoração durante muito tempo. Se estava na churrascaria, era pra comemorar o milésimo gol; se estava na boate, estava lembrando do fato inédito; se passeava pela praia, era para refletir sobre essa marca; se fazia qualquer coisa, era graças a comemoração do milésimo gol.
Na semana de meu aniversário, inspirei-me no "baixinho" e fui comemorar, coisa que nunca tinha feito. Mas era uma marca histórica: afinal, fazer 30 anos não é tão normal! É uma virada incrível. Digamos que você fica mais "sênior"...
Na terça, 29/05, estava na net com Jainara, tomando uma garrafa de vinho e "parabéns pra você", chegou o grande dia. Na quarta comemorei no trabalho com os funcionários, tradicionalmente com um bolo e refrigerante. À noite fui ao Churrasquinho Mú com Janilson, Fernanda e Josy, naquele que havia sido o dia mais frio do ano até então, e novamente festa. Na sexta-feira fiz uma comemoraçãozinha particular e me diverti muito (venha me beijar, minha doce vampira...). No sábado caí na balada. Estavam lá Janilson, Bruno, Tati, William, Telma, Fernando, Alessandrão e Dzyan. Bebi todas e, na hora da música eletrônica, dancei, beijei, subi no palquinho lateral, ou seja, "paguei mico". No domingo, após uma ressaca desgraçada, jurei que iria descansar, quando a Fernanda me liga dizendo que está indo ao Churrasquinho Mú juntamente com a Paula e a Fabiana. E aí, com essa turma, não tem como economizar no álcool: terminamos a noite aqui em casa, tomando cerveja e comendo pizza pois o "dia" nos havia dado muita fome.
Enfim, para quem não gostava de comemorações, até que esse ano foi farto (rs).

domingo, maio 27, 2007

Certa música me lembra... Mariana!


Veio de manha molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar... e se entregou ao vento
O sol veio avisar... que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar... Ana, o céu e o mar

Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada num farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol

Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as ondas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar

Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar

Ana e o mar... mar e Ana
Historias que nos contam na cama
Antes da gente dormir
Ana e o mar... mar e ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar

Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada
se estende pro resto do mundo
abençoando ondas cada vez mais altas
barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
desse novo amor... Ana e o mar

Ana e o mar... mar e Ana
Historias que nos contam na cama
Antes da gente dormir
Ana e o mar... mar e ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar

Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada
se estende pro resto do mundo
abençoando ondas cada vez mais altas
barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
desse novo amor... Ana e o mar

quarta-feira, maio 16, 2007

Teoria da Feira

Dizem que "mente vazia é oficina do demônio". Discordo com isso, afinal o que seria de nós se não fosse o ócio: Isaac Newton descansava em baixo de uma macieira e "eureca"; Darwin viajou por vários anos, sem fazer nada, só observando e "eis que o homem tem a mesma descendência do macaco"; Platão, com "o ser é, o não ser não é", juntamente com um bando de filósofos desocupados fez de Atenas o berco da cultura; Tom Jobim e Vinícius de Moraes viviam tomando cerveja no bar, compondo músicas; dentre tantos outros desocupados que abrilhantaram a história.
Na sociedade atual, em que o tempo parece nosso inimigo, falar em ócio é difícil, mas podemos arrumar um momento, principalmente nos fins de semana, quando sentamos no templo sagrado dos bêbados, o bar. E foi no bar com Fernanda, Josy e Janilson que surgiu uma nova teoria, revolucionária e surpreendente: a teoria da feira.
Mas deixe-me falar como cheguei a ela: falávamos sobre nossas vidas amorosas, desilusões, alegrias, frustrações, pessoas que desprezamos, dentre outras coisas e, após um tempo, verificamos que já fizemos muita coisa, mas estamos sozinhos. Eu, 29 anos, Josy, 28 anos, Fernanda, 27 anos e Janilson, 41 anos não temos ninguém no momento e a cada dia torna-se mais difícil encontrar alguém. Eis que, tal qual Newton, sou iluminado e grito "eureca", criando a "Teoria da Feira":
"A feira começa por volta das 07:00 da manhã. Nesse momento temos frutas nobres, tal qual o Kiwi, morango fresco, maçãs lindas e vermelhas, manga madura, cheirosa e dura, bananas no ponto, estando todas elas num preço mais alto, mas que todos querem. A medida que o tempo passa, as frutas nobres acabam, o morango, que antes era abundante, já está terminando, sobrando somente aquelas embalagens com o plástico grudado e a bandeja cheia d´água, as bananas vão ficando pretas, a manga mole, a macã machucada...
Tal qual uma feira assim é a nossa vida amorosa. Quando jovens, as frutas nobres são difíceis de ter, mas que muitos estão dispostos a ' comprar'. Há uma variedade de coisas e você tem o direito a escolher. À medida que o tempo passa, o que é bom vai sendo "comprado", ficando as sobras. E aí vale uma outra lei: a da oferta e da procura, do meu 'colega' Adam Smith. Há uma certa abundância, mas de coisa que não valem a pena".
Já somos morangos estragados, em breve seremos maçãs podres. Precisamos correr contra o tempo, pois já são 10:30 e a feira acaba as 13:00, e aí, a medida que o tempo passar, será mais difícil de encontrar uma fruta que valha a pena.

Obs: Faltou a Fabiana e o Solteiro nessa mesa de bar...

domingo, maio 13, 2007

Virada Cultural

Começou no dia 05, às 18:00, e terminou no dia 06, às 18:00. Um dia inteiro de música, teatro e filmes. Atrações para trodos os gostos, de Racionais Mc´s a Alceu Valença, passando por Leci Brandão e Paulinho da Viola .
Assisti aos shows de Alceu Valença, O Teatro Mágico, Sergei, Clube do Balanço (com erasmo Carlos) e Ed Motta. Saí de casa às 18:00 e cheguei às 05:00, simplesmente "morto"

terça-feira, maio 01, 2007

Sobre ser mãe

Mãe: 1. mulher ou qualquer fêmea que deu à luz um ou mais filhos. 2. Origem, fonte.
(Dicionário Aurélio)
Lembro-me da minha infância, mas principalmente da minha família. O convívio com meus irmãos, pais e alguns poucos primos e tios. Apesar das brigas, nos dávamos bem. Era aquela coisa: a raiva não durava mais de uma hora e pouco tempo depois já estávamos nos abraçando, rindo, brincando e nos preparando para outra briga. Sempre falávamos que nunca seríamos iguais aos filhos de Dona Alzira e Dona Marlene, que brigavam e ficavam por um longo período sem se falar.
É interessante como as coisas mudam: Hoje, minha família está em crise de relacionamento, enquanto as outras estão bem. Minhas irmãs, Tinha e Meire não se falam. Tudo por causa de uma bronca de Tinha em Guilherme, filho de Meire. Esta endureceu o coração e disse que ela sabe o que é ser mãe, por isso não a perdoa. Penso que ser mãe é ter amor, paz e saber perdoar, coisas que não estão acontecendo. Orgulho, ódio e discórdia são sentimentos mesquinhos que nada tem a ver com o sentido de mãe.
Ser mãe não é só procriar: é ser a origem de um sentimento de amor que emana de si e espalha-se para todos. É sentir que a vida que veio de si é importante e que deve fazer o possível e o impossível para que ela tenha o melhor da vida. E pergunto-me: essa discórdia faz bem aos seus filhos? Proibí-los e incentivá-los a não falar com a tia ajuda? Será que não se lembra o quanto sentíamos falta de tios? Será que não se lembra da falta de Tio Quinho quando este afastou-se de casa após briga com meu pai?
Penso nisso tudo e fico triste. A vontade que tenho é de não ir para casa nas festas de fim-de-ano. Afinal, a família tal qual conheço não existe mais, ela ficou na memória. E estragar essa lembrança não é algo que eu esteja disposto a fazer.

Semana "puxada"

Xiii. Lá se vai qause um mês sem postar nada. Nesse intervalo algumas coisas interessantes aconteceram, mas gostaria de falar da segunda semana de abril: 04 shows em menos de 05 dias.
Na quinta fui com Janilson e Rafael ver o Aerosmith: paguei por um show e vi o segundo. O Velvet Revolver, banda do Slash que faria a abertura para o Aerosmith, deu um espetáculo. E, logo em seguida, os vovôs arrebentaram com sua música quase centenária e eterna.
No domingo fui novamente com Janilson, só que agora acompanhados de Solteiro, ver Toquinho no Shopping Anália Franco e me "segurei" para não chorar deemoção: lembrei de Januy, meus irmãos, meus pais, minha infância... Após o show almocei e fui ver o Cordel do Fogo Encantado na Cachoeirinha. Lá encontramos o Bruno e a Tati. A mudança foi radical: desde o ambiente até as pessoas, tudo era diferente. O batuque do Cordel é interessante e até mesmo engraçado, a presença de Lirinha, no palco, é indescritível. Ele é incrível!!
Logo depois, óbvio, tomamos um caipirinha de frutas vermelhas e uma Brahma no Churrasquinho Mu para relaxar...

sexta-feira, abril 06, 2007

...

A Bruxa

(Carlos Drummond de Andrade)

A Emil Farhat

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse nesse minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e calma.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me,
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.

terça-feira, abril 03, 2007

Roger Waters: The dark side of the moon - 24/03/2007



O que falar do Show de Roger Waters? Simplesmente não há o que dizer. Foi algo inesquecível ouvir os clássicos do Pink Floyd ao lado de fãs extasiados e de um belo show pirotécnico. Sinceramente, o segundo melhor show da minha vida, já que o de U2 é o primeiro e o dos Mutantes passa a ser o terceiro.


Lembrei de muitas pessoas durante a execução das músicas e Livio foi um dos amigos mais lembrados. Afinal, comecei a ouvir e conhecer o Pink Floyd após algumas " aulas" de bom gosto musical.


Mas tão marcante quanto o show foi a presença de uma pessoa que não me lembro o nome. Ela é filandesa, estava com o seu filho brasileiro assistindo ao show. Os dois bebiam juntos, fumavam juntos e, após o início do show, sacudiam a cabeleira juntos. Ela morou nos Estados Unidos em uma cidade próxima de Boston e, em 1974, quando o Pink Floyd lançou a turnê, o irmão havia prometido comprar os ingressos para o show. Todos os amigos dela compraram os ingressos e o seu irmão não o fez. Para ela, era um show esperado por mais de 23 anos e por isso mais do que especial. Tanto que ela "armou o mairo barraco" quando alguns espertinhos tentaram ficar em pé, na sua frente, e ela dizia: "me respeite que eu tenho idade para ser a sua avó! Esse é o show da minha vida! Esperei por ele por mais de 23 anos e não vai ser agora que alguém vai me atrapalhar". A mulher delirou e sacudiu a cabeleira como uma juvenil e era visível, em sua face, a expressão de felicidade. Ela não cansava de dizer: muito bom! Valeu a pena esperar!


Enfim, Roger Waters: The dark side of the moon foi inesquecível não só pelo espetáculo, mas pela presença das pessoas desconhecidas que estavam conosco.

segunda-feira, março 12, 2007

Certa música me lembra... Januy

Fico assim sem você
Adriana calcanhoto


(Caca Moraes)



Avião sem asa,
Fogueira sem brasa,
Sou eu assim sem você...
Futebol sem bola,
Piu-piu sem Frajola,
Sou eu assim sem você...


Por que é que tem que ser assim...?
Se o meu desejo não tem fim...?
Eu te quero a todo instânte,
Nem mil alto-falantes,
Vão poder falar por mim...


Amor sem beijinho,
Buchecha sem Claudinho,
Sou eu assim sem você...
Circo sem palhaço,
Namoro sem abraço,
Sou eu assim sem você...


Tô louco pra te ver chegar,
Tô louco pra ter nas mãos...
Deitar no teu abraço,
Retomar o pedaço,
que falta no meu coração...


Eu não existo longe de você...
E a solidão é o meu pior castigo,
Eu conto as horas pra poder te ver,
Mas o relógio tá de mal comigo...
Porquê? Porquê?



Nenem sem chupeta,
Romeu sem Julieta,
Sou eu assim sem você...
Carro sem estrada,
Queijo sem goiabada,
Sou eu assim assim sem você...



Por que é que tem que ser assim...?
Se o meu desejo não tem fim...?
Eu te quero a todo instânte,
Nem mil auto-falantes,
Vão poder falar por mim...


Eu não existo longe de você...
A solidão é meu pior castigo,
Eu conto as horas pra poder te ver,
Mas o relógio tá de mal comigo...



(Poderia citar todas as músicas de Milton Nascimento, várias de Caetano, principalmente Sampa que ele tocava maravilhosamente bem no violão, outras tantas de Gal Costa, Betania, Gonzaguinha, Fagner... Mas ultimamente essa música é a que mais me faz lembrar de ti. O trecho "Eu conto as horas pra poder te ver mas o relógio tá de mal comigo" é a mais pura verdade. Sei que um dia nos encontraremos e poderemos matar toda a saudade. Enquanto isso não acontece estou tocando a vida, lembrando de você em vários momentos da vida, principalmente quando saio com Janilson e fazemos um programa a dois e paro e penso: esse programa poderia ser a três. Te amo e sempre te amarei, meu irmão.)

terça-feira, março 06, 2007

Certa música me lembra... Cipó

Vilarejo

(Marisa Monte)
Composição: Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes


Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão

Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutos em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá

Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for


"Cipó, meu eterno vilarejo, minha eterna Pasárgada. Terra que nunca esquecerei e que sempre sentirei saudades."

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Nem melhor nem pior: diferente



Meu Carnaval tinha tudo pra ser uma merda, mas foi ótimo: fiz planos de ir a Ubatuba, de ter uma visitinha particular, mas deu tudo errado. Porém, foi muito bom.
Começou no sábado, tomando várias cervejas com a Fernanda, Fabiana e Paula no Valadares: enchemos a cara e nos divertimos muito. No domingo, foi a vez do Churrasquinho Mu nos receber: repeteco do dia anterior. Na segunda, veio o inesperado: desfilar em uma Escola de Samba (Morro da Casa Verde).
O desfile começaria às 02:00, mas o encontro foi marcado para as 21:00, em frente ao barracão da Escola. Chegamos lá e já começamos a turbinar, tomando várias Brahmas. Duas horas depois embarcamos em um ônibus e já começamos a fazer bagunça: cantando, enchendo o saco do motorista, do filho dele e do Juquinha, autor da letra do samba-enredo da escola. Chegamos por volta da 00:30 e continuamos no mesmo ritmo: cerveja, cerveja e cerveja. Às 01:20 estávamos na expectativa para entrar e aconteceu o mais esperado: a Josy sentiu dor de cabeça e foi procurar uma ambulância. Eu entrei na avenida e já entrei no clima. A expectativa era de arrepiar. Fiquei na ponta, recebi as instruções do chefe de ala, e aguardamos. Foi quando o auto-falante anunciou que faltavam quinze minutos e a bateria começou a tocar. A adrenalina subiu e mais uma vez veio o anúncio de que faltavam 05 minutos. Depois daí, foi pura emoção.
Pisar na avenida, fantasiado, é se sentir um astro. Um astro anônimo, sendo saudado pela platéia, vários gringos e brasileiros que se divertem ao te ver dançar. Você olha para os lados e sente a emoção de estar fazendo parte de um grupo que tem uma finalidade, ganhar um campeonato, fazendo um espetáculo para uma população que tem uma outra finalidade, se divertir. No meio do desfile, avistei meu irmão na arquibancada, com os seus amigos, e fiquei muito emocionado.
Quando menos esperava, o aviso de que não poderíamos andar para trás, pois já tínhamos cruzado a linha amarela, do final. Foram 31 minutos inesquecíveis, empolgantes, que sempre ficarão na memória. Na dispersão, a empolgação era tal que acreditávamos plenamente na vitória da nossa escola, o que infelizmente não aconteceu.
Mais cervejas de comemoração e embarcamos de volta, no mesmo ônibus, foi quando descobrimos que o filho do motorista tinha conseguido uma fantasia e desfilado também. Marcamos de nos encontrar na sexta-feira, dia do desfile das campeãs, voltamos pra casa extremamente cansados, e aí foi só descansar, sonhando com os momentos maravilhosos.
Na terça nova cervejada e na quarta, infelizmente, a volta ao trabalho.

sábado, fevereiro 17, 2007

Os Mutantes, Nação Zumbi e Tom Zé

São Paulo fez aniversário e quem ganhou o presente fui eu: Show na Praça da Independência, no Ipiranga, do Nação Zumbi, Tom Zé e Os Mutantes.
Conhecia pouco do Nação Zumbi, mas os tambores do Maracatu juntos com o som da guitarra é realmente eletrizante. Resultado: comprei o dvd na outra semana e passei a admirar mais ainda a banda.
Dizem que Tom Zé é um gênio incompreendido; continuo sem compreendê-lo. Simplesmente sem comentários.
Até que chegou o momento mais esperado: às 21:10 entraram no palco os "Dom Quixotes". Simplesmente alucinante. É incrível como a banda é fantástica. Se já gostava da banda, simplesmente me apaixonei. Só não comprei o dvd porque estava muito caro (rs).
Mas foi simplesmente um feriado maravilhoso. Depois disso minha alma estava lavada, pronta para aguentar novamente a rotina de porcarias como Calypso e cia limitada.

sábado, janeiro 13, 2007

Do bestial ao genial: Sobre Ana Carolina - Dois Quartos

Ana Carolina encarnou o espírito de Caetando Veloso ao fazer o novo cd duplo - Dois Quartos. E ser comparada a Caetano Veloso significa não só receber os bônus, mas também o ônus de tal comparação. Afinal, o magnífico autor de "Sampa", "Você é linda" e "Queixa", dentre outras maravilhas, é também o criador de coisas bestiais como "Super bacana" e "Leãozinho".
O cd começa tipicamente Ana Carolina: uma música forte,ao estilo dos outros três cd´s ("tô saindo", "o rio" e "hoje eu tô sozinha" dos cd´s anteriores, respectivamente). Tudo vai transcorrendo maravilhosamente bem até a quinta música, "Rosas" (será que ela se inspirou em "Choram as rosas", de Bruno e Marrone?), um deslize entre tantas músicas que tem tudo para se tornarem clássicas: "Tolerância", "Ruas de Outono", "Aqui", "Um edifício no meio do mundo" e "Vai". Depois disso ela tem a idéia desgraçada de ser política e ataca de "O Cristo de madeira" (maldito Tom Zé que a influenciou depois do encontro que resultou em "Unimultiplicidade") e da lamentável "Eu comi a Madonna", música, aliás, que faz Tati Quebra Barraco ter inveja. Felizmente ela volta a ser Ana Carolina (ou talvez o Caetano de "Trem das Cores") com ótimos arranjos para "Nega Marrenta" e "Notícias Populares", músicas apresentadas no DVD com Seu jorge, e com a divertida "Chevette" ao melhor estilo Ana Carolina: pandeiro e gogó. Esta, para mim, é a melhor música do gênero em comparação com músicas do mesmo estilo dos cd´s anteriores ("Armazém", "Implicante" e "Vox Populi").
Aí vem o segundo Cd, que começa com qualquer coisa, menos música, pois poupem-me das explicações filosóficas e políticas do porquê daquelas frases soltas em "La critique" (ainda influenciada por Tom Zé). Seguem-se duas ótimas músicas, "Então vá se perder" e "Carvão", que deveriam estar, porém, separadas, já que tem arranjos e ritmos muito parecidos. A Leve e descontraída "Manhã" te faz viajar numa tarde de verão acompanhado de uma paixão. A "Homens e Mulheres" mostra outro deslize da Ana; não que seja contra a mensagem passada pela música (o bissexualismo), mas é que ela é ruinzinha de dar dó. "Corredores", música fossa, cairia muito bem na voz de Nana Caymmi. Logo depois vem "Sentimentos", música feita para completar o cd: instrumental e chata. "Cantinho" é outra música inspirada em Tati Quebra Barraco: sem comentários. "Eu não paro", a melhor música do cd, e "Claridade" são outras jóias raras desse cd. O ótimo samba "Milhares de samba" é digno do melhores sambistas do Brasil (Cartola, Paulinho da Viola...). infelizmente, Ana Carolina resolveu terminar o cd com o remix de "Eu comi a Madonna". Já que um é pouco, ela resolveu cantar essa porcaria de música duas vezes, agora numa versão dance, para tocar nas baladas ao lado de Mc Serginho, Tati Quebra Barraco, Bonde do Tigrão, dentre outras porcarias.
Ana Carolina infelizmente errou. Ela tinha tudo para fazer desse o melhor cd já gravado na sua carreira, porém, a idéia de fazer um cd duplo, arruinou com esta possibilidade. Se tivesse feito um cd, com o melhor do duplo, com certeza já estaria entre os clássicos da mpb. Ela definitivamente Caetaneou, tornando "Dois Quartos" uma surpresa a cada faixa: ao mesmo tempo em que fez pérolas da mpb, fez coisas péssimas, indo do bestial ao genial numa facilidade digna de Caetano Veloso.

segunda-feira, novembro 20, 2006

A última grande lição

Acabei de ler o "A última grande lição - O sentido da vida", de Mitch Albom. É a história do reencontro de um homem com seu ex professor, mais de vinte anos depois, após este contraira uma doença rara e incurável (ELA). As lições de vida são incríveis. Me fez refletir sobre muitas coisas. Família, amigos, casamento, trabalho, etc. são alguns dos temas abordados dentro dos diálogos entre o velho treinador e seu jogador.
Aconselho, a quem interessar uma leitura leve e reflexiva, a ler esse livro. Realmente, uma lição de vida.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Novos tempos

Depois que saí de férias minha vida mudou muito. Trabalhei apenas dois dias no Mc Donald´s e, 10 dias depois, já estava na Fininvest. Trabalho agora de segunda a sexta, das 09 às 18:00 e , aos sábados, das 09:00 às 13:00. Adeus trabalho aos domingos e feriados; adeus a uma vida totalmente sem programação. Não posso dizer "dessa água nunca mais beberei", mas pretendo realmente nunca mais beber.
A oportunidade que tenho agora me é muito interessante. Sou agora o gerente da loja (ou filal, segundo o "dialeto" local), sendo responsável por toda a estratégia de vendas, de pessoal e financeira. Cheguei na filial no dia 13 de outubro, após um treinamento de 01 mês, totalmente perdido no ambiente e na rotina de trabalho. Logo de cara vi uma grande filial, com um enorme potencial de vendas, mas com funcionários desmotivados, cabreiros, além de sentir um clima muito ruim. Tive que fazer, primeiro, um trabalho de motivação dos funcionários. Depois, treinar as crianças e ajustar a algumas coisas. O resultado foi que, quando entrei, havia uma previsão muito ruim de vendas e conseguimos quase dobrar isso (a previsão era de 46% da meta e chegamos a 87%, crescendo 26% em relação ao mês anterior). O resultado está muito longe do esperado, mas já é um bom começo. O melhor de tudo é que consegui fazer com que o pessoal acreditasse que é possível reverter o número e deixar de ser a loja problema.
Na sexta teremos a visita de um ótimo vendedor (Douglas, da São Bento) que nos ensinará muita coisa e, na segunda, farei a contratação de um novo funcionário. Com certeza será um homem para dar um equilíbrio na loja, pois sou o único homem no meio de três mulheres. Infelizmente, não tenho com quem falar sobre mulher, carro, futebol, cerveja e todas as coisas de homem. Além do mais, preciso de uma pessoa mais racional e menos emotiva, e com certeza esse novo funcionário dará esse equilíbrio que preciso.
Com fé em Deus as coisas se resolverão e transformarei a filial Brás numa filial lucrativa.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Acabaram-se as férias.

E esses são meus últimos minutos de férias... A cada vinda penso que a última foi a melhor. E dessa vez não foi diferente. Minhas férias foram maravilhosas.
Foram momentos de descontração com minha família, amigos e mulheres. Aconteceu de tudo um pouco: Concurso de estórias, caça ao tesouro, praia (Rio Vermelho e Barra do Itariri), chácara, cascata, festa em Pombal, visita a amigos em Feira, show de Jota Quest e Los Hermanos, reencontro com amigos de infância (Camila e Lucas), festa a fanasia, aniversário de Aline, reuniões no Opacc e Talismã, e cerveja e mais cerveja na praça, observando a vida passar sem compromisso algum.
Férias faz muito bem ao ser humano. O único momento ruim é quando elas acabam e deixo pra trás meu passado, amigos e, principalmente, minha família.

segunda-feira, agosto 21, 2006

O show dos Hermanos


Fui ao show dos Hermanos. Para mim foi maravilhoso, visto que sou fã da banda. Lembrei de muitas pessoas e momentos durante o show:

Fernanda:
"Ela é mais sentimental que eu. Então fica bem se eu sofro um pouco mais".

Bruno e Tati:
"Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você. Que explique a min ha paz. Tristeza nunca mais".

Cacau:
"Posso ouvir o vento soprar, assisitir a onda bater, mas o estrago que faz a vida é curta pra ver".

Rick:
"Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu cuidar do meu nariz".

Aline:
"Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra não faltar amor".

J...
"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim. Eu sei, não é assim, mas dixa eu fingir".
"E só de te ver eu penso em trocar a minha tv num jeito de te levar a qualquer lugar que você queira. E ir aonde o vento for, que pra nós dois, sair de casa já é se aventurar".

Alan:
"Quem sabe o que é ter e perder alguém"?

domingo, agosto 13, 2006

Férias: Manuela.


Minhas férias estão sendo inesquecíveis. Além de rever amigos, me divertir, tive a oportunidade de conhecer um outro lado de minha sobrinha, Manuela, que a cada dia que passa amo mais.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Voltei a escrever: minhas férias

Depois de muito tempo sem escrever, voltei a ativa. De lá pra cá muita coisa mudou: mudei de casa e bairro, meu melhor amigo foi pra Suíça, mudei de loja (Pirituba), e agora estou de férias na Bahia. É muito bom rever a família e amigos. Estive em Feira e pude rever grande parte dos meus amigos de faculdade. Alguns ainda não vi, pois estão em outras cidades (Aracaju, Salvador, Livramento), mas isso, pelo visto, ficará para uma próxima vez. Me diverti pra caramba em Feira: Fui a Forró do Fifó, um bar iluminado por candeeiros com os 2 Marcelos; Fui ao Cortiço com Marcelle e duas amigas (Paula e Eva); tomei cerveja e comi acarajé com Nara na Casa do Acarajé; Almocei com Maricéia e Zeinha; almocei também com Marleide, Lara, Itamara e Hayana; Fui ao show do Jota Quest e Los Hermanos; tomei umas cervas com Renata, Luiz, Vania, Juliano, Limão e Gilmara; passei uma tarde conversando com Léo e Michele, desfrutando da coisa linda que é o Rafael, filho deles; revi a loira mais chata e gente boa que existe, Janaína, com o seu filho que é uma peste; comi Galinha Mista no Gauchão; revi Herbert; reencontrei Cláudia, Igor (como tá grande), e Dona Miza; passeei pelo comércio de Feira (como cresceu) e pelo Iguatemi; e até relembrei dos velhos tempos de Bá, lavando pratos e arrumando compras (rs). Enfim, fiz tudo o que podia fazer e quase tudo o que queria.

quinta-feira, junho 29, 2006

Universo Paralelo

A vida tem sido um enigma indecifrável...
Vive-la tem sido um desafio inigualável...
O medo de me aproximar tem consumido minh´alma...
Quando o espírito imundo sai do homem, anda
Por lugares áridos, procurando descanso, e, não o encontrando,
Retorna para casa de onde saiu...
Dificilmente estarei livre deles, sempre voltam e me atormentam
Na escuridão dos meus sonhos que nunca lembrarei
Minha vida esta vazia, pouco importa...
Pouco importa levantar-se cedo ou tarde, não faz diferença...
Os dias parecem ser todos iguais, não há novos desafios
Ninguém precisa de mim...
Cada dia é um peso, é preciso matar o tempo...
Descobrir um jeito de não pensar, pois o pensamento dói...
E vem aquela vontade de beber, uma vontade de esquecer,
Uma vontade de morrer...e ao mesmo tempo viver
Viver no imenso universo frio, escuro e solitário.
Viver junto das mais belas estrelas que não falam
E não choram somente brilham...
Gostaria de viver no meu universo Paralelo, que criei...
Para tentar me esconder

(Rick Charlie Vinticinco)

quarta-feira, junho 28, 2006

Mudando...




Estou mudando. Não só de casa, mas de vida.
Há pouco mais de dois anos vim morar na Lapa com uma pessoa que até então era um conhecido. Disso passou a uma verdadeira amizade e o Rick eu considero e o chamo de irmão. Porém, ele está partindo: está indo para a Suíça, morar com a sua mãe. Quando me falou, não acreditei. Só fui acreditar há pouco mais de um mês, fazendo uma busca frenética por casa aqui na mesma região. Porém, não encontrei e agora estou indo para o Imirim, morar com uma pessoa que me é pouco conhecida. Como vai ser, não sei. Espero que tenha a sorte grande e ganhe novamente um grande amigo.
Junto a isso, problemas no trabalho estão me deixando louco. Não sei qual será meu futuro no Mc Donald´s, nem se terei futuro por lá. Estou mandando currículos para áreas diferentes da de alimentação, porém, no meu nível salarial, sem experiência, é mais complicado.
Entreguei nas mãos de Deus. Tento dormir mas não consigo. Tento deixar para o destino decidir, mas é difícil. Só me restarelaxar e viver um minuto de cada vez.

sexta-feira, junho 23, 2006


Eu não sou da sua rua,
Eu não sou o seu vizinho,
Eu moro muito longe,
Sozinho.

Estou aqui de passagem.

Esse mundo não é meu,
Esse mundo não é seu.

"Efeito borboleta"

Às vezes queria voltar no tempo e mudar o passado. Queria poder fazer o que foi feito em "Efeito borboleta". Ter a oportunidade de manipular fatos do passado e ver como a vida seria. Sei que algumas coisas boas aconteceram ao longo da minha vida, mas também coisas muito tristes e doloridas, que ficaram marcadas para sempre e até hoje me influenciam, também fazem parte do que sou.
Procuro lembrar somente do que foi bom: minha infância correndo na rua com os amigos, minha família que amo tanto, os amigos de Cipó, Feira e São Paulo, os momentos felizes lá e aqui (São João na minha Pasárgada, Micareta em Feira, show do U2 em Sampa, etc.), tentando deixar de lado o que de ruim aconteceu. Mas, às vezes, esses problemas saltam na memória. Parecem monstros adormecidos que, ao acordarem, fazem um grande estrago no meu interior.
Tento não demonstrar para ninguém. Busco levar a vida de uma maneira normal. Tento esquecer ou pelo menos fingir que esqueci e colocar esses montros para adormecerem. O problema é que a cada despertar, estragos mais profundos são feitos.

sexta-feira, junho 16, 2006

Correr riscos

Correr Riscos


Rir... é correr o risco de parecer tolo.
Chorar... é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão... é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos... é correr o risco de mostrar seu verdadeiro EU.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão... é correr o risco de perder as pessoas.
Amar... é correr o risco de não ser compreendido.
Viver... é correr o risco de morrer.
Confiar...é correr o risco de se decepcionar.
Tentar... é correr o risco de fracassar.
Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada!
Pessoas que não se Arriscam:
Podem evitar sofrimentos e desilusões, mas não conseguem nada.
Não sentem, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.
Somente as pessoas que correm riscos.... são livres.
"Os barcos estão seguros, se permanecem no porto. Mas não foram feitos para isto ".

Enviado por dois grandes amigos, Leonardo e Michele, de quem jamais esquecerei.

terça-feira, junho 13, 2006



E minha mãe foi embora... E Diogo, meu sobrinho, também...
Só não fiquei mais triste porque sei que os verei daqui a pouco mais de 01 mês. Mas já estou sentindo falta, aguçada ainda pela certeza de que o Rick, daqui a 20 dias, vai para a Suíça. Ou seja, a casa estava cheia e vai ficar vazia.

sexta-feira, junho 09, 2006

Os amigos vão e vem. Às vezes vão para sempre. Outras, mesmo distantes, nunca partem. Lembrei dos grandes amigos dessa vida.

Meu primeiro amigo, de infância, foi Cayo. A gente não se desgrudava, brincava junto o tempo todo, mas, quando passamos a estudar em escolas separadas, nos distanciamos. Até hoje a gente conversa, mas não somos amigos. Depois vieram Bruno e Márcio. Morávamos na mesma rua e adorávamos soltar pipa, brincar de rouba-bandeira e esconde-esconde com as menianas (Tó, Ginian, Joelma, Arlete...). Foi nessa época que vi revista pornô pela primeira vez. Nunca teve um porquê de ter me afastado de Márcio, mas aconteceu. Acho que crescemos e tivemos interesses diferentes. Já Bruno mudou de rua e ficamos distantes. Anos depois nos aproximamos novamente e voltamos a ser amigos. Infelizmente brigamos na virada do milênio, em pleno Reveillon, por que ele teve uma crise de ciúmes da então ex-namorada a qual tentava reconciliar.
Camila foi uma das pessoas mais bonitas, gostosas e gente boa que conheci. Pelas qualidades físicas, infelizmente era minha amiga. Mas pela personalidade dou graças a Deus de estar ao seu lado como amigo. Ela foi estudar em Salvador e eu em Feira de Santana e acabamos perdendo o contato. Hoje, graças à Internet, estamos voltando a nos falar. Ela está com um filho lindo, casada e estou louco para ir à Bahia para vê-la.
Lucas foi um desses companheiros raros. Amigo de todas as horas e momentos. Sabia quase tudo da minha vida. Fazíamos quase tudo juntos (mulheres à parte) e foi com ele que aprendi a ser mais relax, a ser um pouco irresponsável. Infelizmente não tenho mais contato com ele. Pensei que nunca mais acharia alguém como ele até encontrar Marcelo e ver que os seres-humanos nos surpreendem. Marcelo é uma pessoa fora do comum. Trabalhávamos na mesma empresa, estudávamos na mesma sala da faculdade e morávamos na mesma rua. Quando vim de Feira para São Paulo pensei que perderíamos contato, mas são quatro anos sendo amigo. Já Carla anda meio sumida, mas tenho certeza que é só tempo, o amor continua o mesmo.
Quando Bruno saiu do Mc Donald´s,pensei: agora que ele vai ter um outro estilo de vida, não teremos mais contato; perdi um amigo. Hoje vejo que estava enganado e sou o padrinho do casamento dele com a Tati.
Esse mesmo sentimento de "perdi um amigo" está agora em minha cabeça. O Rick, meu amigo-irmão de toda hora, que mora na mesma casa que eu, que sabe tudo a respeito de mim, que esteve ao meu lado em momentos importantíssimos e tanto me ajudou, está indo para a Suíça. Só o tempo irá dizer se ele entrará para a minha história como uma lembrança remota ou como um amigo que, mesmo distante, não sei foi.

sábado, junho 03, 2006


Só por hoje

(Renato Russo)


Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou o que virá
Só por hoje vou me lembrar que sou feliz

Hoje já sei tudo que sou que preciso ser
Não preciso me desculpar e nem te convencer
O mundo é radical
Não sei onde estou indo
Só sei que não estou perdido
Aprendi a viver um dia de cada vez

Só por hoje eu não vou me machucar
Só por hoje eu não quero me esquecer
Que há algumas pouco vinte quatro horas
Quase joguei a minha vida inteira fora

Não não não não
Viver é uma dádiva fatal!
No fim das contas ninguém sai vivo daqui mas
-Vamos com calma !

Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu não vou me destruir
Posso até ficar triste se eu quiser
É só por hoje, ao menos isso eu aprendi


Obs.: Essa foto chama-se "Pedaços do que fui".

terça-feira, maio 30, 2006

30 de maio de 2006...

30 de maio de 2006: meu aniversário. Faço 29 anos hoje. Ao contrário da maioria das pessoas, não consigo ficar feliz nesse dia. Fico pensativo e faço uma reflexão da minha vida, o que outros fazem no Reveillon. Penso: minha vida tá melhor que no ano anterior? O que planejei, realizei? Consegui o que gostaria? Algumas atitudes valeram a pena? Como não repetir os erros do ano passado e como fazer com que os acertos sejam repetidos? Como tá o coração? E a saúde? E os amigos? E a vida profissional?
Lembro de todos os que amo e desejo, no fundo, estar ao lado deles ou pelo menos ouvir as suas vozes. E é aí onde bate a tristeza. Tem uma pessoa que, por mais que deseje, não estará ao meu lado, nem me ligará: Januy. Meu irmão que Deus resolveu levar para o seu lado. Meu irmão que fez parte da minha infância. Meu irmão que a cada dia que passa sinto mais falta. Meu irmão que tanta falta faz. Meu irmão que não consigo esquecer. Meu irmão que está tão distante e não consigo esqecer. Meu irmão... Meu irmão... Meu irmão...
Não sei do que seria capaz de fazer para estar hoje ao seu lado, ou pelo menos ouvir a sua voz. Não precisava nem ser hoje, já que ele sempre ligava no dia 28 de maio, achando que o aniversário de minha irmã, Janicélia (29 de maio), era nessa data, e o meu era no dia 29. Ms só o fato de saber que poderia vê-lo em breve já era suficiente. Eu queria muito que meu irmão estivesse vivo. Esse sentimento não sai de minha cabeça.
Olho para Diogo, dormindo, e vejo o seu fruto semeado na Terra. Tenho vontade de falar com ele a respeito do pai, mas não tenho corajem. Queria muito dividir com ele as lembranças do pai, mas sinto uma barreira. Não me sinto à vontade para fazer isso. Dizem que Deus sabe o que faz. Acredito Nele. Mas não posso deixar de questionar o porquê dele ter ido. Por várias vezes desejei que fosse eu. Pelo menos não estaria sentindo essa dor. Pode até parecer egoísmo, mas é o que sinto. Essa dor nunca vai acabar.
Hoje é o único dia que não consigo olhar uma foto dele. Não dá! Não consigo! Todos os outros dias do ano consigo fazer isso, mas hoje não. Dói demais. E não consigo, no fundo, deixar de esperar uma ligação dele. A cada vez que toca o telefone, iludo-me pensando, que por algum milagre, foi só um sonho e que irei acordar ao ouvir o telefone tocar. Mas aí a tristeza bate mais forte ao fim do dia ao perceber que estou acordado.
Muita gente não entende por que sou tão "meloso", por que abraço tanto as pessoas, por que digo tanto que gosto dos outros, por que sou tão família, mas tudo tem explicação. Na penúltima vez que ele esteve em Cipó, estavam eu, Merinha, de Cardeal, Mary, Nara e Januy, e ele se despediu de nós. Abraçou e beijou as meninas e pegou em minha mão. Merinha perguntou o porquê dele não me dar um abraço e um beijo e ele riu, dizendo que não fazia isso com homem (coisas do Negão). Confesso que senti muita vontade de abraçá-lo, mas não o fiz. Quando Januy saiu de férias em 2005, a última viajem dele a Cipó, eu viajei para Aracaju. Só o vi no último dia e não pude ver a transformação que ele tinha passado. Tinha se tornado evangélico, dado testemunho na igreja, emocionado meu pai a ponto de fazê-lo chorar, e Mazé tinha se aproximado da família.
Lembro-me da última visão dele vivo: ele chegando, juntamente com Josué e painho, vestindo camisa pólo cinza, boné cinza e calça jeans, carregando um galão de água mineral, cumprimentando-me e depois indo para a casa de Mazé. Aquela altura já sabia que ele iria para o Conde no dia seguinte e que meus pais iriam levar Mazé e Jéssica para lá e passariam o fim-de-semana com eles. Seria a primeira vez, desde que ele tinha se separado de Lulu, que isso aconteceria. Iria junto com meus pais. À noite, Januy foi em casa se despedir do pessoal. Estava deitado. O ouvi chegar e ele perguntou por mim. Queria falzr com todos, inclusive comigo. Senti vontade de levantar, mas estava com preguiça. Ele abriu a porta fiz de conta que estava dormindo, e ele falou: "Tudo bem, o vejo no sábado".
Na sexta-feira, Jéssica estava em casa toda feliz, e, por volta do meio-dia, fui levá-la em casa. Ela não parava de falar: "amanhã a gente vai ver meu pai". Deixei-a em casa e, ao chegar, ouvi alguns gritos. Achei que era alguma irmã minha tendo filho, já que Tinha e Meire estavam grávidas. Abri a geladeira para beber água e vejo surgir no corredor minha mãe chorando, rasgando roupa e a si mesmo, pedindo para meu pai dizer que era mentira e meu pai pedindo calma. Fiquei atônito com aquela cena. Se eu não me engano, foi Dona Alzira quem e chegou e a baraço. Meu pai bateu em meu ombro e disse: "Fique calmo: seu irmão morreu". O tempo parou naquele instante. Quando voltei a ter sentidos, vi Janilson, levando a comida na boca e jogando os talheres no prato, dizendo: "Poxa, papi, sacanagem". Gel e Léo chegaram, assustadas com os gritos, e perguntaram o que foi. Sentei no sofá e chorando falei para elas. Foram os primeiros carinhos naquele dia horrível e isso eu nunca vou esquecer. Logo em seguida fui avisar Mazé. Encontrei Daidi, que me perguntou se era verdade, pois já tinha ouvido em Arildo (sonorização Leone). Ao chegar lá, ela disse: "Oi, meu lindo". Ela estava passando roupa e Iranice estava lavando os pratos. Iranice me cumprimentou, mas não tive reação: fui abraçar Mazé e, chorando com voz trêmula, disse: "Mazé, Januy morreu". Ela fechava os ouvidos, dizendo que eu estava louco e que era para eu sair dali, que ela não queria ouvir aquilo. Iranice me perguntou e confirmei com a cabeça. Ilma saiu do quarto assustada, e Iranice lhe falou. Voltei para casa correndo. Não sabia o que fazer. Entrei em casa e vi minha mãe com D. Helena e D.Alzira. Fui até o portão e vi Mary e Luiz chegando. Ela me abraçou, chorando. Logo depois chegaram Tinha e Josué, e a partir daí, não parou de chegar gente: Dona Ivone, Pombinho, Dona Helena, Tia Santa... A casa ficou lotada rapidinho. Sentei-me na área e chegou Dona Eline, chorando, de braços abertos. Foi um dos abraços mais confortantes que tive.
Chegou Mazé com Iranice e Ilma. Jéssica chegou mais tarde com Paulinha. Tia Santa fazia cafezinho e chá para a gente. Não vi a hora que Luiz, painho e Janilson foram até o Conde fazer o reconhecimento do corpo. Não acreditava no que estava acontecendo. Peguei um saco de castanha e, sentado na calçada, comendo, conversei com Tia Santa que aquilo era mentira, um engano. Chegaram Sandra, Milena, Jucilene, Humberto, Cayo... Não me senti à vontade para ficar com eles. Marilda chegou e senti um abraço de conforto. Lucas, William ligaram-me e senti-me confortável. Quando à noite estava no portão. Dilson passou de carro e por um momento senti-mefeliz, pensando que era Januy (eles são muito parecidos). O carro que tinha ido ao Conde voltou. Ouvi Janilson falando que parecia que eleestava dormindo. Logo em seguida chegou um carro da Coelba: vinha trazendo Célia que fui receber. Ela dizia que não queria descer por que achava que era mentira. Meu pai então disse: "Célia, se você veio para dar escândalo, é melhor voltar". Ela desceu. Josué não parava de falar ao telefone. Lembro dele falando com o Pastor Balbino e quando falou a respeito das dimensões do caixão. Aproximei-me de Luiz e o ouvi falando que tiveram na casa de Januy, pegaram uma roupa para ele e o trocaram.
Meu pai era a pessoa mais forte. Consolava a todos, inclusive os amigos. Seu Antonio não saia do seu lado. Minha mãe estava em prantos, sempre acompanhada de Tia Santa, Dona Helena, Alzira e Ivone. Eu entrava no quarto e não conseguia ficar lá. Entrei no quarto de Nara e logo em seguida, Janilson entrou e, falou: "Coo vou entrar nesse quarto? A gente passou nossa infância aqui". Lembrei de quando era criança, com o quarto cheio de posters de time defutebol. Novamente saí.
O pastora Balbino chegou com a esposa, Marleide e Marlene, que não saiu do meu lado. Vi Kleyvia e Cimara, que não conseguiam falar comigo. Via Kleyvia querendo se aproximar de mim sem coragem. Vi um amigo de Januy, pai de Paula que trabalhava no Derba, chegar bêbado, olhar para o caixão, balançar a cabeça e ir embora. Vi Lulu no quarto com mainha. Vi Paulo, médico, chegando e tentando brincar com minhas irmãs, pos as 03 estavam grávidas. Deu uma "água" que as fizeram domir. Tentaram me dar várias coisas mas não tomava. Não queria dormir. Foi quando Tia Santa chegou com um suco e a fiz jurar que não tinha nada. Bebi e apaguei no sofá. Ao abrir os olhos, vi um céu lindo, sem nuvens. Virei-me e vi Cleuza. Fui até a sala e vi um caixão no meio dela. Era horrível. Meu pai estava abrindo-o para ajeitarnão sei o quê. Toquei-o e tranquie-me no banheiro. Meu pai, com frieza, mandou-me lavar as mãos.
O pastor chegou e fez a mensagem. Lembro-me dele cantando "alo mais que a neve, sim nesse sangue lavado, mais alvo que a neve serei". Marlene chamou-me para ir até a sala. O pastor pediu um minuto para a família despedir-se do corpo e o vidro, que estava fechado, foi aberto. Debrucei-me sobreo caixão e fiquei em prantos. Marlene tirou-me e Gel me abraçou. Fomos para o enterro. O caminho parecia interminável. Nunca foi tão longe. Fui com Gel, Marlene e Léo. Ao ver aquele lugar frio e horroroso, o cemitério, entrei em desespero. Quando o pastor estava falando, deu-me um desespero e comecei a falar: "todo mundo está em pé, menos ele". Meu pai reprrendeu-me, mandando parar de falar. Vi Nara e Janilson com Milena, Tinha e Josué, Mary e Luiz, Célia, Lúcio, Claudinho e Mazé, Mazé, Ilma e Iranice, Lulu, Diogo e Manu, Jéssica nos braços de Paula... Foi a última vez que vi todos os meus irmãos....
O momento em que a terra bateu sobre o caixão (até hoje eu sonho com esse barulho), foi muito dolorido. Só me recordo de todos em pranto e eu saindo do cemitério. Dona Eline levou-me até o carro dela e disse que eu precisava ser forte para dar força à minha mãe. Ouvia tudo aquilo, olhando para o cemitério, pensando que iria deixá-lo ali, sozinho, naquele lugar frio. Chegando em casa, tudo estava horroroso. DonaIvone e Tia Santa cozinharam para a gente, mas não lembro de ter comido. Ainda ficaram algumas pessoas e tivemos algumas visita, como o do padre da cidase, mas aquele dia parece que até hoje não acabou.
Depois disso nossas vidas mudaram radicalmente. Nunca mais fui o mesmo.Sempre que posso abraço meus irmãos e amigos. Faço questão de dizer o quanto eles são importantes e os amo. Dizer o quanto eu estou satisfeito com a presença deles, pois o que eu queria, mesmo, é a presença de meu irmão.

Obs.: Isso foi escrito com o coração. Não reparei em vírgulas, conjunções, regras gramaticais... Somente em lágrimas e sentimentos, interrompido com um telefonema para Mary.

E chegou o bebê mais lindo desse mundo: Laura, a minha sobrinha!!!

segunda-feira, maio 22, 2006

Canção da América


Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir
Mas quem ficou
No pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou
No pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a
Distância digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier
Venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto
Pra te encontrar
Qualquer dia amigo
A gente vai se encontrar

(Fernando Brant e Milton Nascimento)

segunda-feira, maio 15, 2006


"Ninguém vê onde chegamos: os assassinos entao livres; nós não estamos".
(Renato Russo)

Essa é a mais pura verdade. São Paulo está vivendo um caos após o toque de recolher do crime organizado. E nosso governador diz que está tudo sobre controle (rs). A violência tomou conta da cidade. E contra um PCC há uma polícia corrupta e despreparada. "Vou me embora pra Pasárgada".

segunda-feira, maio 08, 2006

Fui almoçar com minha mãe


Tive um dia maravilhoso!!! Minha mãe chegou da Bahia na quinta e hoje fui almoçar com ela. Mas que coisa boa é sentir o gostinho da comida de casa... A comida de mãe é sempre diferente. Além da presença dela, é óbvio! Infelizmente gostaria que algumas pessoas estivessem lá comigo, mas não puderam ou não quiseram. E como diz meu irmão: "Nunca espere nada de ninguém. As pessoas são humanas e seres humanos são filhos-da-puta. Sempre espere o pior". Preciso aprender a levar a vida desse jeito. Infelizmente, acho que as pessoas são perfeitas e que sempre virá o melhor delas.
Bem, mas como eu disse, tive um dia maravilhoso! E como mais uma vez diz meu irmão e a Fernanda: " A gente está aqui para viver as coisas boas. E é isso que importa. Lembrar sempre das coisas boas e deixar as coisas ruins de lado".
E como eu disse e repito (tipo um mantra): hoje eu tive um dia maravilhoso!!!

quinta-feira, maio 04, 2006

E o Bruno vai casar...


Agora é que a ficha caiu... O Bruno vai casar. E não é que é sério? Estava pensando nisso agora. Putz, o Bruno sempre brincou com tudo... Ainda não tinha pensado nisso. Bom, ainda bem que é com a Tati. Isso me deixa, além de aliviado, muito feliz!

Traumas

Meu pai um dia me falou
Pra que eu nunca mentisse
Mas ele também se esqueceu
De me dizer a verdade
Da realidade do mundo
Que eu ia saber
Dos traumas que a gente só sente
Depois de crescer

Falou dos anjos que eu conheci
No delírio da febre que ardia
No meu pequeno corpo que sofria
Sem nada entender

Meu amigo em certa noite
Ao ver meu sono estremecido
Falou que os pesadelos são
Algum problema adormecido
Durante o dia a gente tenta
Com sorrisos disfarçar
Alguma coisa que na alma
Conseguimos sufocar

Meu pai tentou encher de fantasia
E enfeitar as coisas que eu via
Mas aqueles anjos agora já se foram
Depois que eu cresci
Da minha infância agora tão distante
Aqueles anjos no tempo eu perdi
Meu pai sentia o que eu sinto agora
Depois que cresci

Agora eu sei o que meu pai
Queria me esconder
Às vezes as mentiras
Também ajudam a viver
Talvez um dia pro meu filho
Eu também tenha que mentir
Pra enfeitar os caminhos
Que ele um dia vai seguir

Meu pai tentou encher de fantasia
E enfeitar as coisas que eu via
Mas aqueles anjos agora já se foram
Depois que eu cresci
Da minha infância agora tão distante
Aqueles anjos no tempo eu perdi
Meu pai sentia o que eu sinto agora
Depois que cresci

Roberto Carlos e Erasmo Carlos

segunda-feira, abril 17, 2006

Ganhei o melhor presente da minha vida...

Ganhei um presente de Páscoa. Aliás, um puta presente de Páscoa. Agora virei boy: meu carro está com um puta som, presente do meu amigo-irmão Rick. Pra falar a verdade, se não tivesse ganhado, jamais teria um som daquele. Mas o que mais importa não é o valor material e sim o sentimental disso.
O Rick, desde que o conheço, tem batalhado na vida, pagando suas contas de maneira apertada. A bem da verdade, ele está com alguns problemas financeiros, inclusive com nome "sujo" na praça, precisando de um valor um pouco menor do valor do equipamento que foi instalado para resolver seus problemas financeiros. Mas ao receber o som do chefe dele, que não o queria mais e o vendeu por "preço de banana", ele de imediato pensou no quão eu ficaria feliz com aquilo instalado no carro.
E o melhor é que foi uma surpresa. Tinha deixado o carro na oficina e, como não estava pronto e tinha que ir trabalhar, pedi para que ele fosse pegá-lo. Ao chegar com o carro, fiquei sem palavras ao ouvir a música, a caixa de som e o módulo instalados. Recuperado do susto, a única coisa que disse foi:
- Você é louco?? Como você instalou isso? Por que você não o vende e paga o que está devendo?
- Pensei que você iria gostar!!!
- E gostei! Mas por que você não faz isso??
- Por que eu queria te fazer uma surpresa!- Ele respondeu - Queria te ver feliz! Esqueceu que somos uma família? E irmão faz de tudo para ver o outro feliz.
O abracei emocionado, agradecido de coração. Afinal, não é todo dia que Deus põe um cara como esse no seu caminho. Não é todo dia que a gente tem o prazer de estar ao lado de uma pessoa como ele, ter um amigo de verdade, dividir alegrias e tristezas, além de contas para pagar e uma casa minúscula como moradia. Afinal, são três anos morando no mesmo canto sem nunca ter havido uma briga séria.
E penso: o melhor presente que Deus me deu nesses últimos anos foi a possibilidade de conhecer e me tornar amigo dele. Afinal, é um presente que continuo desfrutando.

sexta-feira, abril 14, 2006

E chegou a Páscoa!!!

E chegou aPáscoa!!! Que vontade de estar em Cipó. Nessa terra, tudo é festa pagã. Em Cipó, Páscoa é época de esperar os amigos de outras cidades, se entorpecer bebendo vinho e dançar atrás do trio elétrico. Lembro que eu e Nara tínhamos um ritual: às vésperas eu, ela e mais dois amigos íamos para o murinho do rio atrás do hotel, com vários litros de vinho, e enchíamos a cara, esperando os amigos de fora chegarem. Ritual esse, que foi estendido ao São João. Lembro que bebemos com Nana, Lucas, Val, Vladimir, Sandra, Jucilene, Humberto, Cayo, Camila, Maristela ... Foram tantas emoções...
Sinto falta desse tempo. Sinto falta de quando era pré adolescente e adolescente. Nada pra fazer, curtindo festas, mulheres, violão... Como se diz: "cabelo ao vento e gente jovem reunida". Era muito legal. Tomar vinho a noite toda, dançar ao som de qualquer banda desconhecida como se fosse atração internacional, brincar, beijar e depois a saideira em Kulú. Sim, por que festa sem saideira em Kulú não era festa. Afinal, a resenha tinha que ser em Kulú. E para isso, nada melhor que Canário, Abel, Leonardo, Marinho e Quinho.
Depois disso, ir para casa com medo que painho e mainha já tivessem acordados, ou pior: que encontrasse meu pai indo comprar pão com aquela bicicleta verde que depois virou azul...
É curioso como agente não liga para essas coisas enquanto está vivendo-as. Depois que passa, a gente começa a vê-las de maneira diferente. Talvez por causa da saudade, a gente acaba romantizando-as. Mas uma coisa é certa: eu me diverti pra caralho nesse período.
Hoje está tudo diferente: Quinho é evangélico e casou, Canário está casado e mudado, Leonardo sumiu, Marinho idem, Abel mudou-se de Cipó, Sandra está com um filho, Humberto virou Dr. Humberto psicólogo (rs), Jucilene, devido a distância, tem novos amigos, Nana também sumiu, Wladimir ainda o encontro e tomo várias, Cayo é vereador e evangélico, Maristela continua a velha Mari e Camila está com um filho....
É, o tempo passa. E infelizmente não vivemos na na Terra do Nunca. Ficou a saudade.

"O tempo passa e nem tudo fica
A obra inteira de uma vida
O que se move
E o que nunca vai se mover".

quarta-feira, abril 12, 2006

Tá foda trabalhar no Mc

O Mc Donald´s é uma lição não só de gerenciamento, mas também de vida. É um ótimo lugar para se trabalhar, pois você trabalha dentro de objetivos pré estabelcidos, tentando alcançá-los durante cada dia, para a cada semana e posteriormente, ao final do mês, analisar o seu resultado. Trabalha mês a mês visando o resultado do ano para aí receber o mais esperado: o PPR. A empresa é toda baseada em teorias e as pessoas são treinadas para executarem suas tarefas da melhor maneira possível. Par nós, gerentes, o que mais é falado é do trinômio de gerenciamento: Pessoas, Produtos e Equipamentos.
E é nesse trinômio onde está meu maior problema. Estou trabalhando em uma loja há mais de um ano no qual o material humano é escasso, muitas vezes raro, o que inviabiliza o gerenciamento. Por causa disso tenho tido dias muito ruins, principalmente ao longo desses últimos dois meses. Meu consultor tem visitado a Loja várias vezes e o que ele tem visto não o tem agradado. Claro que ele está certo, mas estou sendo penalizado por uma coisa pela qual não sou responsável.
Tenho um chefe que, desculpe-me, mas é muito fraco. Para falar a verdade, é o pior gerente com o qual trabalhei. O cara não tem perfil, não sabe falar em público, não sabe lidar com pessoas, não é carismático, é atrapalhado, tem dificuldades com números, mas mesmo assim é meu chefe. Me imagino tomando cerveja numa mesa de bar com ele. Para isso ele seria bem divertido. Mas como gerente de restaurante do Mc não dá. Para piorar, antes dele, vinha trabalhando com aquele que foi, sem dúvida, o melhor gerente com o qual trabalhei e obviamente as comparações são inevitáveis.
O problema maior nisso tudo é que meu consultor parece não enxergar. Ele acha que eu não quero mais trabalhar na empresa, estou de saco cheio, mas não percebe que na verdade estou de saco cheio dessa situação. Não de trabalhar no Mc, mas sim de trabalhar com as condições que me são dadas.
Por pouco hoje não fui demitido. Aliás, essa já é a quarta ou quinta vez, em menos de dois meses, que isso quase acontece. Estou cansado de ser o "patinho feio" da história. De receber uma culpa que não é minha.
Pediram para não desanimar, que as coisas se resolveriam. Estou aguardando. E na verdade aguardando com muita ansiedade, pois trabalhar no Mc está deixando de ser um prazer para ser uma tormenta.

terça-feira, abril 04, 2006

O sol


Ei dor...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei medo...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou

Ei dor...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei medo...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá vou
É pra lá que eu vou


Composição: Antônio Júlio Nastácia

segunda-feira, abril 03, 2006

Sonhos...

O que é o sonho e porque sonhamos? É o que gostaria de saber. Existem diversos livros que falam de interpretação de sonhos e outras baboseiras a qual não acredito. Outros dizem que o sonho é a realização daquilo que queremos muito. Minha avó dizia que o que sonhava era porque iria acontecer o inverso na vida real. Ou seja, se você sonhasse com alguém morrendo, era por que ela iria viver muito; se sonhasse com alguém pobre, ela iria ficar rica, etc, etc e tal.
Nesse momento prefiro a sabedoria da vovó. Tenho tido vários sonhos ruins e acordado assustado a noite inteira. Não sei por que mas por vários dias sonhei com o Rick sentado num banco plástico no banheiro, sentado, imóvel, sendo dado banho. Acordava assustado, voltava a dormir e a sonhar que minha irmã tinha perdido o filho. E assim passava a noite inteira acordando e voltando a dormir.
Essa noite estava dormindo muito bem. Até que acordei assustado com mais um sonho. Nesse, eu acordava, precisava falar com o Rick e então o sacudia. Só que ao tocá-lo, ele estava gelado e não acordava. Óbvio que o sacudi para me certificar que era um sonho. O mesmo olhou para mim com uma cara assustada, virou para o lado e voltou a dormir, roncando parecendo um porco (rs).
Bem, como falei, estou acreditando na sabedoria da vovó. Então, vida longa e saúde ao meu sobrinho e ao meu amigo.

Obs.: Essa foto escura foi tirada agora, do dorminhoco roncando (rs).

sexta-feira, março 31, 2006

Melhorei.

Estou melhor... As minhas crises existenciais, graças a Deus, passam rápido. E, para melhorar, ainda vi esse filme:

http://www.lifemotion.com.br/coracao/

Obrigado, Debinha.

quinta-feira, março 30, 2006

Situações...

Situações nesta vida me fazem sentir
Que não não sou forte a ponto de até resistir
Nesse terríveis momentos
Os maus pensamentos me querem levar
A um extremo de vida
Que meu equlibrio se deixa enganar.

Instantes que se prolongam
Tentando mudar
Tudo que já se fez de novo
Pois Cristo mudou.

Tentando hoje trazer
O que eu tento esquecer.
Sou vencedor
E niguém poderá me deter!

Pois eu sei que jamais eu provado serei
Além do que eu possa suportar.
E se ainda eu cair e pensar que é o fim
Jesus me ergue e segue junto a mim!

Jesus me ergue e segue, sim.
Jesus me ergue e segue, sim.
Jesus me ergue e segue junto a mim.

Composição: Paulo Cezar

(Às vezes parece que não vou suportar e, tal qual Jesus, penso: "Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?".
"Ainda bem que em meio as minhas trevas vejo a luz / Nessas horas mais difíceis sinto Cristo / Enxugando o rosto e motivando-me outra vez / A seguir em frente sem olhar para trás".)

domingo, março 26, 2006

Sobre meu pai...


É engraçado como, ao passar os anos, a gente enxerga fatos do passado de maneira diferente. Digo isso por que hoje, aos 28 anos, enxergo atitudes do meu pai como benéficas para mim.
Dizem que quando eu era criança, tinha medo de meu pai. Isso porque ele trabalhava em outra cidade e passava muito tempo fora de casa e, ao chegar, ao contrário dos meus irmãos, eu me isolava dele. Não sei o porquê, pois eu era muito pequeno e não me lembro, mas quando eu acostumava com a sua presença, ele novamente viajava.
Lembro-me do primeiro grande contato com ele quando fui para São Paulo e Rio de Janeiro e, após quase dois dias dentro de um ônibus, conversamos sobre coisas diversas. Isso era no início de minha adloescência e meu pai, durante essa fase, já estava mais presente em casa. Não concordava com muitas atitudes suas. Ele me proibia de beber, de ir para festas, de ficar na rua até alta madrugada e isso me irritava. Tinha inveja de muitos amigos que tinham essa total liberdade e perguntava-me porque meu pai não era assim.
Hoje entendo muita coisa:
1 - meu pai não estava em casa pois, se estivesse, não teria condição de me proporcionar muitas coisas as quais adiquiri. Ele estava longe fisicamente, mas estava com o coração perto da família. Estava fazendo aquilo porque queria o melhor para aquela mulher que ele tanto ama e para os seus filhos que eram a perpetuação da sua espécie;
2 - ele tem um conjunto de valores que não concordava. Para mim, hoje, vejo que esses valores são importantes. Tanta liberdade só serviu para deixar muitos de meus amigos perdidos na vida.
3 - ele é meu pai. E, independente de qualquer coisa, tudo o que fez foi por amor à família. Foi por nos amar. Foi por querer para nós o melhor do mundo.

Te amo, meu pai.

sexta-feira, março 24, 2006

Onde estão?

Fecho os olhos
Peço para Deus
Que possa atender
Esses versos e prosa
Que eu deixei
E eu não sei
Se irão
Tocá-lo em servidão

Abro a porta
Olho para o céu
Será que já choveu?
No jardim essas rosas
Que eu plantei
E eu não sei
Se estão
Mortas ou em botão

E eu me perguntei:
Onde estão
Todas as crianças
Todas as pessoas
ue eu já chamei
Que eu procurei aqui
E que eu tanto amei?
Onde estão meus irmãos?
Onde estão?

Abro os braços
Tanta emoção
Quando eu irei te ver?
No jardim, essas rosas
Que eu plantei
Mas eu não sei
Se irão
Abrir esses botões

Fecho os olhos
Peço para Deus
Que tente entender
Esses versos e prosa
Que eu não sei
Se eu deixei
Em vão
Tocar a imensidão

E eu me perguntei:
Onde estão
Todas as crianças
Todas as pessoas
Que eu já chamei
Que eu procurei aqui
E que eu tanto amei?
Onde estão meus irmãos?
Onde estão?

(Samuel Rosa / Nando Reis)

Quando eu vim de férias, em janeiro de 2005, eu vim ouvindo essa música e chorando.

quinta-feira, março 23, 2006

Meu momento atual

Te ver


Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como mergulhar num rio e não se molhar
É como não morrer de frio no gelo polar
É ter o estômago vazio e não almoçar
É ver o céu se abrir no estio e não se animar

Te ver e não te quererÉ improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como esperar o prato e não salivar
Sentir apertar o sapato e não descalçar
É ver alguém feliz de fato sem alguém pra amar
É como procurar no mato estrela do mar

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como não sentir calor em Cuiabá
Ou como no Arpoador não ver o mar
É como não morrer de raiva com a política
Ignorar que a tarde vai vadia e mitica

É como ver televisão e não dormir
Ver um bichano pelo chão e não sorrir
É como não provar o nectar de um lindo amor
Depois que o coração detecta a mais fina flor

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

(Samuel Rosa / Lelo Zanetti / Chico Amaral)


Para aquela que é impossível ver e não querer...

quarta-feira, março 22, 2006

Tô de saco cheio...

Tô de saco cheio. Não aguento mais trabalhar do jeito que eu estou trabalhando. Faltam condições e sobram cobranças absurdas. Preciso mudar de vida...

sábado, março 18, 2006

Sobre minha irmã...


É engraçado como as tragédias unem as pessoas. Lembro-me exatamente do dia mais trite de minha vida, o dia em que Deus levou o meu irmão, e de como aquilo afetou mninha vida para sempre. Mas o que mais modificou foi a união da família e em especial, para mim, foi a união com minha irmã, Janice.
Não me lembro, na infância e início de adolescência, de nenhum momento de carinho entre nós. Brigávamos o tempo todo, por qualquer coisa, em qualquer lugar. Parecíamos dois estranhos que disseram que eram irmãos. Várias vezes disse que a odiava e várias vezes ouvi o mesmo. Parecia que a paz estava bem longe de existir entre nós.
Porém, depois que meu irmão partiu, tudo se modificou. Ficamos mais e mais unidos. Parece que percebemos o quanto éramos tolos e o quanto cada irmão é importante. Buscamos, a cada minuto, estarmos mais unidos e mais juntos. Procuramos nos abraçar mais e mais. E a cada momento, tentamos mostrar o quanto nos amamos.
Te amo, minha irmã do coração.

quinta-feira, março 16, 2006

O mundo tá muito bagunçado

Uma pessoa chamou-me hoje para ir até a casa dela após o trabalho. Perguntei o por quê e ela disse, sem pestanejar, "para a gente conversar e depois transar". Fiquei envergonhado. Não sabia onde enfiar a cara. Disse que iria, mas não fui. Por vários motivos, sendo um deles o profissional, já que envolver-se com uma subordinada não é nada recomendável. O outro seria o da moral, já que transformar-me em objeto (e daí a inversão de valores) de uma mulher tão fácil não me atraiu.
Acho que o mundo está muito bagunçado. As pessoas estão perdendo a noção de valor e de moral. Ela mora com a irmã e o irmão e mesmo assim eu, um estranho para eles, iria dormir na casa dela. As pessoas estão esquecendo da química que deve existir entre as pessoas. O sexo é parte fundamental de um relacionamento, mas daí começar um relacionamento pelo sexo é começar da maneira errada. É morrer no sexo. Ou, como ela mesmo disse, é conversar e depois transar, para depois, se foi bom, talvez repetir a dose.
Não estou aqui bancando o retrógrado. Faço parte dessa bagunça, aproveito ao máximo, mas hoje meu senso moralista está à flor da pele. Rejeitei o convite por que sei que amanhã ele poderá e será refeito. Não quero dizer que sou um astro de cinema que tem todas as mulheres aos seus pés, mas quando se é gerente, as pessoas te olham diferente.
Mas porque estou escrevendo sobre isso? Sinceramente não sei. Mas que o mundo está bagunçado, a isso está. Onde é que isso vai dar? Não sei. Ou melhor, sei. Com certeza, na próxima oportunidade, meu senso moralista já terá desaparecido, já que ele raramente aparece e dura pouco tempo.Aí será a vez de aproveitar a bagunça na qual estou inserido. Afinal, vim à Terra a passeio e tenho que aproveitar a vida ao máximo.

sábado, março 11, 2006

Vou-me embora pra Cipó


Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

quarta-feira, março 08, 2006

Voltei ao normal


Já são quase 01 da madrugada. Estamos todos cansados, após um dia de trabalho, uma semanal. O rapaz da MAM já está começando a fazer detetização na loja e o fedor de veneno já começa a ficar forte. Mas tenho que aguardar o Mc ser todo detetizado. O Plínio fala que já vai embora e o dispenso, pedindo a um funcioário fechar a porta, pois estou borrifando os esfregões. Ao abrir a porta, ele me chama. Lembro-me que era o último dia de trabalho dele no Mc ACC. Vou ao seu encontro e dou-lhe um forte abraço, desejando-lhe toda a sorte do mundo. Ele abraça-me e, por mais de uma vez, diz:
- Obrigado, obrigado por tudo. Valeu! Valeu mesmo!
Fico emocionado com essas palavras. Fico também muito feliz pelo reconhecimento. Abraço-o mais uma vez, falo que meus objetivos no Mc estavam concluídos: ver Loilson e ele promovidos e nos despedimos.
Fico pensando naquele momento e alegra-me a alma. Eu, que andava meio triste, achando-me sem importância no mundo, percebo que sou importante. Afinal, ajudei recentemente duas grandes pessoas. Não só isso, mas, após esse momento, penso nesses dois anos de ACC e faço um balanço: 11 All stars em 2004 e 08 em 2005; Loander (esse eu criei) e Jimmy (filho do Plínio) promovidos à Coordenadores; Lucilene, promovida a Administrativa; Loilson, promovido a Instrutor e, agora, treinando para coordenador; e, por fim, o Plínio, que chegou na loja "queimado", após o "treinamento" na Doze de Outubro e que agora está indo treinar para Gerente.
Pensando bem, eu sou foda. Sou muito bom... É, estou voltando ao normal. O meu pedantismo está de volta.

terça-feira, março 07, 2006

Sobre o amor...

"Um homem também chora, menina morena.
Também deseja colo, palavras amenas.
Precisam de carinho,
Precisam de ternura,
Precisam de um abraço
Da própria candura..."

(Gonzaguinha)


Estou muito preocupado com um grande amigo, que aqui chamarei de Mário. Ele ligou-me muito triste. Parecia outra pessoa que eu tinha conhecido há quase uma década. O motivo: o amor. A namorada dele terminou com ele e ouvi, de sua boca, palavras que jamais pensei ter ouvido. Pois é, depois de ver o Bruno transformado, agora o vejo também.
Mas, diferentemente do atual momento do Bruno, ele está muito triste. Aliás, arrasado. Está sentindo-se um nada, um lixo, um desprezado, um ... Ouvindo isso, passei a pensar na força do amor. O amor, que traz felicidade, também pode trazer uma tristeza incrível. Tem coisa pior que amar e não ser correspondido? Eu mesmo já amei e não fui correspondido. No início, é uma dor incrível; com o tempo vai dimunuindo, até tornar-se numa lembrança ora agradável de uma pessoa que você amou, ora cheia de mágoas de uma pessoa que não te amou.
Mas, o melhor de tudo, é que essa dor passa. E, com certeza, meu amigo, isso passará. Queria muito estar ao seu lado para te dar uma força numa mesa de bar (a santa cerveja que tudo cura), mas infelizmente não estou. Vai aqui um abraço à distância.
Força, que você vai conseguir superar essa fase!

quarta-feira, março 01, 2006

Eu quero minha mãe...


Tive um dia estressante. Mais do que nunca, queria minha mãe. Queria não apenas estar ao lado dela, mas nos seus braços. Sabe aquela vontade que dá de voltar a ser criança e ficar amparado quando você apanha do seu irmão mais velho, ou cai andando de bicicleta? Pois é: é com essa vontade que eu estou.
É engraçado com é estranho crescer e lembrar da infância. Ficam vários flashes, avivados pelas conversas dos irmãos mais velhos ou de alguma tia. Memórias que, às vezes, de tanto ouví-las, parecem que aconteceram exatamente daquele jeito e que é fruto puro de sua memória.
Lembro-me pouco da minha infância. A lembrança mais antiga é a de passando pela cerca de madeira que separava minha casa e a da vizinha (D. Alzira) pela última vez, pois estariam construindo um muro. Essa imagem disputa com um momento em que eu estava de conjuntivite e era levado por minha irmã (acho que Meire), para ir ao banheiro e eu, de pura teima, abria o olho e via a casa em construção.
As demais lembranças são mais concretas: ensinando Léo (Arlete), Nena e Cinira a andar de bicicleta; jogando bola na rua porque eu era o dono da bola; brincando de baleado e rouba-bandeira; enchendo o saco de Joelma até ela ir para casa chorando; de Dona Marlene chamando Márcio para casa; de acompanhar Januy jogando bola; da alegria de ver meu irmão chegando de Recife; até chegar em minha separação de um amigo, Bruno, que foi morar longe de casa por um motivo desconhecido (depois soube que tinha sido a separação dos pais).
É incrível como é doce lembrar da infância. Faço questão de lembrar-me apenas das partes boas. Prefiro esquecer, nesse momento, das broncas e puxões de orelha da minha mãe; das brigas com meus irmãos (eu e Tinha nos odiávamos); da distância física de meu irmão mais velho (Janilson) e, posteriormente, de Januy após casamento. Prefiro lembrar dos meus amigos da igreja (Léo e Paulo); das peças que apresentávamos lá; de cantar no microfone (se eu pudesse eu voava ao encontro de Deus - Shirley); do dia em que Shirley Carvalhaes, cantora evangélica, esteve em Cipó; das festas na igreja (só para comer pipoca, cana) e das festas nos povoados.
Prefiro lembrar, principalmente o quanto eu era mimado por ser doente. Não que eu tenha saudade da bronquite e falta-de-ar, mas da atenção que eu tinha. Januy deixava-me assistir tv com ele escondido de meus pais; Célia dava-me banho e cuidava de mim; Mary contava estórias para me distrair; Nara sempre arrumava uma brincadeira que não precisasse fazer esforço físico; Tinha não brigava maais comigo (e isso já era suficiente para saber o quanto me amava, apesar de só descobrir anos depois, mas isso é uma outra história); e do meu pai, preocupado comigo, levando-me em Dr. Antonio e D. Anita de madrugada para tomar medicação e, após conseguir fazer-me sobreviver por mais um dia, olhar em meus olhos, abraçar-me, novamente olhar para mim como se fosse a última vez, beijar-me e dar boa noite, para, no meio da madrugada, conferir se eu estava bem.
Tenho saudades de tudo. Principalmente da imagem de minha mãe, mulher forte cuidando de sete filhos pois meu pai passava muito tempo trabalhando. Lembro-me, mais ainda, de estar deitado em seu colo por vários momentos, por várias situações. Porém, a imagem mais forte de minha mãe é do dia em que abri o olho após a maior crise de asma que já tive e a vi chorando e orando, enquanto Sandra (de Zinho) alisava minha cabeça enquanto orava. Essa imagem só disputa com o primeiro momento dos dias mais trites de nossa vida (o dia em que meu irmão nos deixou). Mas, como foi muito triste, nesse momento não faço questão de lembrar-me desse dia.
E é desse carinho e desse mimo que sinto falta. É uma vontade de voltar no tempo, voltando a ser criança, brincando sem compromisso nenhum com a vida, aproveitando o que a vida tem de melhor: vários amigos, um motivo para brincar e se sujar, comer e voltar a brincar.