quarta-feira, março 01, 2006

Eu quero minha mãe...


Tive um dia estressante. Mais do que nunca, queria minha mãe. Queria não apenas estar ao lado dela, mas nos seus braços. Sabe aquela vontade que dá de voltar a ser criança e ficar amparado quando você apanha do seu irmão mais velho, ou cai andando de bicicleta? Pois é: é com essa vontade que eu estou.
É engraçado com é estranho crescer e lembrar da infância. Ficam vários flashes, avivados pelas conversas dos irmãos mais velhos ou de alguma tia. Memórias que, às vezes, de tanto ouví-las, parecem que aconteceram exatamente daquele jeito e que é fruto puro de sua memória.
Lembro-me pouco da minha infância. A lembrança mais antiga é a de passando pela cerca de madeira que separava minha casa e a da vizinha (D. Alzira) pela última vez, pois estariam construindo um muro. Essa imagem disputa com um momento em que eu estava de conjuntivite e era levado por minha irmã (acho que Meire), para ir ao banheiro e eu, de pura teima, abria o olho e via a casa em construção.
As demais lembranças são mais concretas: ensinando Léo (Arlete), Nena e Cinira a andar de bicicleta; jogando bola na rua porque eu era o dono da bola; brincando de baleado e rouba-bandeira; enchendo o saco de Joelma até ela ir para casa chorando; de Dona Marlene chamando Márcio para casa; de acompanhar Januy jogando bola; da alegria de ver meu irmão chegando de Recife; até chegar em minha separação de um amigo, Bruno, que foi morar longe de casa por um motivo desconhecido (depois soube que tinha sido a separação dos pais).
É incrível como é doce lembrar da infância. Faço questão de lembrar-me apenas das partes boas. Prefiro esquecer, nesse momento, das broncas e puxões de orelha da minha mãe; das brigas com meus irmãos (eu e Tinha nos odiávamos); da distância física de meu irmão mais velho (Janilson) e, posteriormente, de Januy após casamento. Prefiro lembrar dos meus amigos da igreja (Léo e Paulo); das peças que apresentávamos lá; de cantar no microfone (se eu pudesse eu voava ao encontro de Deus - Shirley); do dia em que Shirley Carvalhaes, cantora evangélica, esteve em Cipó; das festas na igreja (só para comer pipoca, cana) e das festas nos povoados.
Prefiro lembrar, principalmente o quanto eu era mimado por ser doente. Não que eu tenha saudade da bronquite e falta-de-ar, mas da atenção que eu tinha. Januy deixava-me assistir tv com ele escondido de meus pais; Célia dava-me banho e cuidava de mim; Mary contava estórias para me distrair; Nara sempre arrumava uma brincadeira que não precisasse fazer esforço físico; Tinha não brigava maais comigo (e isso já era suficiente para saber o quanto me amava, apesar de só descobrir anos depois, mas isso é uma outra história); e do meu pai, preocupado comigo, levando-me em Dr. Antonio e D. Anita de madrugada para tomar medicação e, após conseguir fazer-me sobreviver por mais um dia, olhar em meus olhos, abraçar-me, novamente olhar para mim como se fosse a última vez, beijar-me e dar boa noite, para, no meio da madrugada, conferir se eu estava bem.
Tenho saudades de tudo. Principalmente da imagem de minha mãe, mulher forte cuidando de sete filhos pois meu pai passava muito tempo trabalhando. Lembro-me, mais ainda, de estar deitado em seu colo por vários momentos, por várias situações. Porém, a imagem mais forte de minha mãe é do dia em que abri o olho após a maior crise de asma que já tive e a vi chorando e orando, enquanto Sandra (de Zinho) alisava minha cabeça enquanto orava. Essa imagem só disputa com o primeiro momento dos dias mais trites de nossa vida (o dia em que meu irmão nos deixou). Mas, como foi muito triste, nesse momento não faço questão de lembrar-me desse dia.
E é desse carinho e desse mimo que sinto falta. É uma vontade de voltar no tempo, voltando a ser criança, brincando sem compromisso nenhum com a vida, aproveitando o que a vida tem de melhor: vários amigos, um motivo para brincar e se sujar, comer e voltar a brincar.

Um comentário:

Bruno Sant' Ana disse...

Manuel compra um jatinho prqa ve-la todo fim de semana rsrsrs.