terça-feira, maio 30, 2006

30 de maio de 2006...

30 de maio de 2006: meu aniversário. Faço 29 anos hoje. Ao contrário da maioria das pessoas, não consigo ficar feliz nesse dia. Fico pensativo e faço uma reflexão da minha vida, o que outros fazem no Reveillon. Penso: minha vida tá melhor que no ano anterior? O que planejei, realizei? Consegui o que gostaria? Algumas atitudes valeram a pena? Como não repetir os erros do ano passado e como fazer com que os acertos sejam repetidos? Como tá o coração? E a saúde? E os amigos? E a vida profissional?
Lembro de todos os que amo e desejo, no fundo, estar ao lado deles ou pelo menos ouvir as suas vozes. E é aí onde bate a tristeza. Tem uma pessoa que, por mais que deseje, não estará ao meu lado, nem me ligará: Januy. Meu irmão que Deus resolveu levar para o seu lado. Meu irmão que fez parte da minha infância. Meu irmão que a cada dia que passa sinto mais falta. Meu irmão que tanta falta faz. Meu irmão que não consigo esquecer. Meu irmão que está tão distante e não consigo esqecer. Meu irmão... Meu irmão... Meu irmão...
Não sei do que seria capaz de fazer para estar hoje ao seu lado, ou pelo menos ouvir a sua voz. Não precisava nem ser hoje, já que ele sempre ligava no dia 28 de maio, achando que o aniversário de minha irmã, Janicélia (29 de maio), era nessa data, e o meu era no dia 29. Ms só o fato de saber que poderia vê-lo em breve já era suficiente. Eu queria muito que meu irmão estivesse vivo. Esse sentimento não sai de minha cabeça.
Olho para Diogo, dormindo, e vejo o seu fruto semeado na Terra. Tenho vontade de falar com ele a respeito do pai, mas não tenho corajem. Queria muito dividir com ele as lembranças do pai, mas sinto uma barreira. Não me sinto à vontade para fazer isso. Dizem que Deus sabe o que faz. Acredito Nele. Mas não posso deixar de questionar o porquê dele ter ido. Por várias vezes desejei que fosse eu. Pelo menos não estaria sentindo essa dor. Pode até parecer egoísmo, mas é o que sinto. Essa dor nunca vai acabar.
Hoje é o único dia que não consigo olhar uma foto dele. Não dá! Não consigo! Todos os outros dias do ano consigo fazer isso, mas hoje não. Dói demais. E não consigo, no fundo, deixar de esperar uma ligação dele. A cada vez que toca o telefone, iludo-me pensando, que por algum milagre, foi só um sonho e que irei acordar ao ouvir o telefone tocar. Mas aí a tristeza bate mais forte ao fim do dia ao perceber que estou acordado.
Muita gente não entende por que sou tão "meloso", por que abraço tanto as pessoas, por que digo tanto que gosto dos outros, por que sou tão família, mas tudo tem explicação. Na penúltima vez que ele esteve em Cipó, estavam eu, Merinha, de Cardeal, Mary, Nara e Januy, e ele se despediu de nós. Abraçou e beijou as meninas e pegou em minha mão. Merinha perguntou o porquê dele não me dar um abraço e um beijo e ele riu, dizendo que não fazia isso com homem (coisas do Negão). Confesso que senti muita vontade de abraçá-lo, mas não o fiz. Quando Januy saiu de férias em 2005, a última viajem dele a Cipó, eu viajei para Aracaju. Só o vi no último dia e não pude ver a transformação que ele tinha passado. Tinha se tornado evangélico, dado testemunho na igreja, emocionado meu pai a ponto de fazê-lo chorar, e Mazé tinha se aproximado da família.
Lembro-me da última visão dele vivo: ele chegando, juntamente com Josué e painho, vestindo camisa pólo cinza, boné cinza e calça jeans, carregando um galão de água mineral, cumprimentando-me e depois indo para a casa de Mazé. Aquela altura já sabia que ele iria para o Conde no dia seguinte e que meus pais iriam levar Mazé e Jéssica para lá e passariam o fim-de-semana com eles. Seria a primeira vez, desde que ele tinha se separado de Lulu, que isso aconteceria. Iria junto com meus pais. À noite, Januy foi em casa se despedir do pessoal. Estava deitado. O ouvi chegar e ele perguntou por mim. Queria falzr com todos, inclusive comigo. Senti vontade de levantar, mas estava com preguiça. Ele abriu a porta fiz de conta que estava dormindo, e ele falou: "Tudo bem, o vejo no sábado".
Na sexta-feira, Jéssica estava em casa toda feliz, e, por volta do meio-dia, fui levá-la em casa. Ela não parava de falar: "amanhã a gente vai ver meu pai". Deixei-a em casa e, ao chegar, ouvi alguns gritos. Achei que era alguma irmã minha tendo filho, já que Tinha e Meire estavam grávidas. Abri a geladeira para beber água e vejo surgir no corredor minha mãe chorando, rasgando roupa e a si mesmo, pedindo para meu pai dizer que era mentira e meu pai pedindo calma. Fiquei atônito com aquela cena. Se eu não me engano, foi Dona Alzira quem e chegou e a baraço. Meu pai bateu em meu ombro e disse: "Fique calmo: seu irmão morreu". O tempo parou naquele instante. Quando voltei a ter sentidos, vi Janilson, levando a comida na boca e jogando os talheres no prato, dizendo: "Poxa, papi, sacanagem". Gel e Léo chegaram, assustadas com os gritos, e perguntaram o que foi. Sentei no sofá e chorando falei para elas. Foram os primeiros carinhos naquele dia horrível e isso eu nunca vou esquecer. Logo em seguida fui avisar Mazé. Encontrei Daidi, que me perguntou se era verdade, pois já tinha ouvido em Arildo (sonorização Leone). Ao chegar lá, ela disse: "Oi, meu lindo". Ela estava passando roupa e Iranice estava lavando os pratos. Iranice me cumprimentou, mas não tive reação: fui abraçar Mazé e, chorando com voz trêmula, disse: "Mazé, Januy morreu". Ela fechava os ouvidos, dizendo que eu estava louco e que era para eu sair dali, que ela não queria ouvir aquilo. Iranice me perguntou e confirmei com a cabeça. Ilma saiu do quarto assustada, e Iranice lhe falou. Voltei para casa correndo. Não sabia o que fazer. Entrei em casa e vi minha mãe com D. Helena e D.Alzira. Fui até o portão e vi Mary e Luiz chegando. Ela me abraçou, chorando. Logo depois chegaram Tinha e Josué, e a partir daí, não parou de chegar gente: Dona Ivone, Pombinho, Dona Helena, Tia Santa... A casa ficou lotada rapidinho. Sentei-me na área e chegou Dona Eline, chorando, de braços abertos. Foi um dos abraços mais confortantes que tive.
Chegou Mazé com Iranice e Ilma. Jéssica chegou mais tarde com Paulinha. Tia Santa fazia cafezinho e chá para a gente. Não vi a hora que Luiz, painho e Janilson foram até o Conde fazer o reconhecimento do corpo. Não acreditava no que estava acontecendo. Peguei um saco de castanha e, sentado na calçada, comendo, conversei com Tia Santa que aquilo era mentira, um engano. Chegaram Sandra, Milena, Jucilene, Humberto, Cayo... Não me senti à vontade para ficar com eles. Marilda chegou e senti um abraço de conforto. Lucas, William ligaram-me e senti-me confortável. Quando à noite estava no portão. Dilson passou de carro e por um momento senti-mefeliz, pensando que era Januy (eles são muito parecidos). O carro que tinha ido ao Conde voltou. Ouvi Janilson falando que parecia que eleestava dormindo. Logo em seguida chegou um carro da Coelba: vinha trazendo Célia que fui receber. Ela dizia que não queria descer por que achava que era mentira. Meu pai então disse: "Célia, se você veio para dar escândalo, é melhor voltar". Ela desceu. Josué não parava de falar ao telefone. Lembro dele falando com o Pastor Balbino e quando falou a respeito das dimensões do caixão. Aproximei-me de Luiz e o ouvi falando que tiveram na casa de Januy, pegaram uma roupa para ele e o trocaram.
Meu pai era a pessoa mais forte. Consolava a todos, inclusive os amigos. Seu Antonio não saia do seu lado. Minha mãe estava em prantos, sempre acompanhada de Tia Santa, Dona Helena, Alzira e Ivone. Eu entrava no quarto e não conseguia ficar lá. Entrei no quarto de Nara e logo em seguida, Janilson entrou e, falou: "Coo vou entrar nesse quarto? A gente passou nossa infância aqui". Lembrei de quando era criança, com o quarto cheio de posters de time defutebol. Novamente saí.
O pastora Balbino chegou com a esposa, Marleide e Marlene, que não saiu do meu lado. Vi Kleyvia e Cimara, que não conseguiam falar comigo. Via Kleyvia querendo se aproximar de mim sem coragem. Vi um amigo de Januy, pai de Paula que trabalhava no Derba, chegar bêbado, olhar para o caixão, balançar a cabeça e ir embora. Vi Lulu no quarto com mainha. Vi Paulo, médico, chegando e tentando brincar com minhas irmãs, pos as 03 estavam grávidas. Deu uma "água" que as fizeram domir. Tentaram me dar várias coisas mas não tomava. Não queria dormir. Foi quando Tia Santa chegou com um suco e a fiz jurar que não tinha nada. Bebi e apaguei no sofá. Ao abrir os olhos, vi um céu lindo, sem nuvens. Virei-me e vi Cleuza. Fui até a sala e vi um caixão no meio dela. Era horrível. Meu pai estava abrindo-o para ajeitarnão sei o quê. Toquei-o e tranquie-me no banheiro. Meu pai, com frieza, mandou-me lavar as mãos.
O pastor chegou e fez a mensagem. Lembro-me dele cantando "alo mais que a neve, sim nesse sangue lavado, mais alvo que a neve serei". Marlene chamou-me para ir até a sala. O pastor pediu um minuto para a família despedir-se do corpo e o vidro, que estava fechado, foi aberto. Debrucei-me sobreo caixão e fiquei em prantos. Marlene tirou-me e Gel me abraçou. Fomos para o enterro. O caminho parecia interminável. Nunca foi tão longe. Fui com Gel, Marlene e Léo. Ao ver aquele lugar frio e horroroso, o cemitério, entrei em desespero. Quando o pastor estava falando, deu-me um desespero e comecei a falar: "todo mundo está em pé, menos ele". Meu pai reprrendeu-me, mandando parar de falar. Vi Nara e Janilson com Milena, Tinha e Josué, Mary e Luiz, Célia, Lúcio, Claudinho e Mazé, Mazé, Ilma e Iranice, Lulu, Diogo e Manu, Jéssica nos braços de Paula... Foi a última vez que vi todos os meus irmãos....
O momento em que a terra bateu sobre o caixão (até hoje eu sonho com esse barulho), foi muito dolorido. Só me recordo de todos em pranto e eu saindo do cemitério. Dona Eline levou-me até o carro dela e disse que eu precisava ser forte para dar força à minha mãe. Ouvia tudo aquilo, olhando para o cemitério, pensando que iria deixá-lo ali, sozinho, naquele lugar frio. Chegando em casa, tudo estava horroroso. DonaIvone e Tia Santa cozinharam para a gente, mas não lembro de ter comido. Ainda ficaram algumas pessoas e tivemos algumas visita, como o do padre da cidase, mas aquele dia parece que até hoje não acabou.
Depois disso nossas vidas mudaram radicalmente. Nunca mais fui o mesmo.Sempre que posso abraço meus irmãos e amigos. Faço questão de dizer o quanto eles são importantes e os amo. Dizer o quanto eu estou satisfeito com a presença deles, pois o que eu queria, mesmo, é a presença de meu irmão.

Obs.: Isso foi escrito com o coração. Não reparei em vírgulas, conjunções, regras gramaticais... Somente em lágrimas e sentimentos, interrompido com um telefonema para Mary.

E chegou o bebê mais lindo desse mundo: Laura, a minha sobrinha!!!

segunda-feira, maio 22, 2006

Canção da América


Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir
Mas quem ficou
No pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou
No pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a
Distância digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier
Venha o que vier
Qualquer dia amigo eu volto
Pra te encontrar
Qualquer dia amigo
A gente vai se encontrar

(Fernando Brant e Milton Nascimento)

segunda-feira, maio 15, 2006


"Ninguém vê onde chegamos: os assassinos entao livres; nós não estamos".
(Renato Russo)

Essa é a mais pura verdade. São Paulo está vivendo um caos após o toque de recolher do crime organizado. E nosso governador diz que está tudo sobre controle (rs). A violência tomou conta da cidade. E contra um PCC há uma polícia corrupta e despreparada. "Vou me embora pra Pasárgada".

segunda-feira, maio 08, 2006

Fui almoçar com minha mãe


Tive um dia maravilhoso!!! Minha mãe chegou da Bahia na quinta e hoje fui almoçar com ela. Mas que coisa boa é sentir o gostinho da comida de casa... A comida de mãe é sempre diferente. Além da presença dela, é óbvio! Infelizmente gostaria que algumas pessoas estivessem lá comigo, mas não puderam ou não quiseram. E como diz meu irmão: "Nunca espere nada de ninguém. As pessoas são humanas e seres humanos são filhos-da-puta. Sempre espere o pior". Preciso aprender a levar a vida desse jeito. Infelizmente, acho que as pessoas são perfeitas e que sempre virá o melhor delas.
Bem, mas como eu disse, tive um dia maravilhoso! E como mais uma vez diz meu irmão e a Fernanda: " A gente está aqui para viver as coisas boas. E é isso que importa. Lembrar sempre das coisas boas e deixar as coisas ruins de lado".
E como eu disse e repito (tipo um mantra): hoje eu tive um dia maravilhoso!!!

quinta-feira, maio 04, 2006

E o Bruno vai casar...


Agora é que a ficha caiu... O Bruno vai casar. E não é que é sério? Estava pensando nisso agora. Putz, o Bruno sempre brincou com tudo... Ainda não tinha pensado nisso. Bom, ainda bem que é com a Tati. Isso me deixa, além de aliviado, muito feliz!

Traumas

Meu pai um dia me falou
Pra que eu nunca mentisse
Mas ele também se esqueceu
De me dizer a verdade
Da realidade do mundo
Que eu ia saber
Dos traumas que a gente só sente
Depois de crescer

Falou dos anjos que eu conheci
No delírio da febre que ardia
No meu pequeno corpo que sofria
Sem nada entender

Meu amigo em certa noite
Ao ver meu sono estremecido
Falou que os pesadelos são
Algum problema adormecido
Durante o dia a gente tenta
Com sorrisos disfarçar
Alguma coisa que na alma
Conseguimos sufocar

Meu pai tentou encher de fantasia
E enfeitar as coisas que eu via
Mas aqueles anjos agora já se foram
Depois que eu cresci
Da minha infância agora tão distante
Aqueles anjos no tempo eu perdi
Meu pai sentia o que eu sinto agora
Depois que cresci

Agora eu sei o que meu pai
Queria me esconder
Às vezes as mentiras
Também ajudam a viver
Talvez um dia pro meu filho
Eu também tenha que mentir
Pra enfeitar os caminhos
Que ele um dia vai seguir

Meu pai tentou encher de fantasia
E enfeitar as coisas que eu via
Mas aqueles anjos agora já se foram
Depois que eu cresci
Da minha infância agora tão distante
Aqueles anjos no tempo eu perdi
Meu pai sentia o que eu sinto agora
Depois que cresci

Roberto Carlos e Erasmo Carlos

segunda-feira, abril 17, 2006

Ganhei o melhor presente da minha vida...

Ganhei um presente de Páscoa. Aliás, um puta presente de Páscoa. Agora virei boy: meu carro está com um puta som, presente do meu amigo-irmão Rick. Pra falar a verdade, se não tivesse ganhado, jamais teria um som daquele. Mas o que mais importa não é o valor material e sim o sentimental disso.
O Rick, desde que o conheço, tem batalhado na vida, pagando suas contas de maneira apertada. A bem da verdade, ele está com alguns problemas financeiros, inclusive com nome "sujo" na praça, precisando de um valor um pouco menor do valor do equipamento que foi instalado para resolver seus problemas financeiros. Mas ao receber o som do chefe dele, que não o queria mais e o vendeu por "preço de banana", ele de imediato pensou no quão eu ficaria feliz com aquilo instalado no carro.
E o melhor é que foi uma surpresa. Tinha deixado o carro na oficina e, como não estava pronto e tinha que ir trabalhar, pedi para que ele fosse pegá-lo. Ao chegar com o carro, fiquei sem palavras ao ouvir a música, a caixa de som e o módulo instalados. Recuperado do susto, a única coisa que disse foi:
- Você é louco?? Como você instalou isso? Por que você não o vende e paga o que está devendo?
- Pensei que você iria gostar!!!
- E gostei! Mas por que você não faz isso??
- Por que eu queria te fazer uma surpresa!- Ele respondeu - Queria te ver feliz! Esqueceu que somos uma família? E irmão faz de tudo para ver o outro feliz.
O abracei emocionado, agradecido de coração. Afinal, não é todo dia que Deus põe um cara como esse no seu caminho. Não é todo dia que a gente tem o prazer de estar ao lado de uma pessoa como ele, ter um amigo de verdade, dividir alegrias e tristezas, além de contas para pagar e uma casa minúscula como moradia. Afinal, são três anos morando no mesmo canto sem nunca ter havido uma briga séria.
E penso: o melhor presente que Deus me deu nesses últimos anos foi a possibilidade de conhecer e me tornar amigo dele. Afinal, é um presente que continuo desfrutando.

sexta-feira, abril 14, 2006

E chegou a Páscoa!!!

E chegou aPáscoa!!! Que vontade de estar em Cipó. Nessa terra, tudo é festa pagã. Em Cipó, Páscoa é época de esperar os amigos de outras cidades, se entorpecer bebendo vinho e dançar atrás do trio elétrico. Lembro que eu e Nara tínhamos um ritual: às vésperas eu, ela e mais dois amigos íamos para o murinho do rio atrás do hotel, com vários litros de vinho, e enchíamos a cara, esperando os amigos de fora chegarem. Ritual esse, que foi estendido ao São João. Lembro que bebemos com Nana, Lucas, Val, Vladimir, Sandra, Jucilene, Humberto, Cayo, Camila, Maristela ... Foram tantas emoções...
Sinto falta desse tempo. Sinto falta de quando era pré adolescente e adolescente. Nada pra fazer, curtindo festas, mulheres, violão... Como se diz: "cabelo ao vento e gente jovem reunida". Era muito legal. Tomar vinho a noite toda, dançar ao som de qualquer banda desconhecida como se fosse atração internacional, brincar, beijar e depois a saideira em Kulú. Sim, por que festa sem saideira em Kulú não era festa. Afinal, a resenha tinha que ser em Kulú. E para isso, nada melhor que Canário, Abel, Leonardo, Marinho e Quinho.
Depois disso, ir para casa com medo que painho e mainha já tivessem acordados, ou pior: que encontrasse meu pai indo comprar pão com aquela bicicleta verde que depois virou azul...
É curioso como agente não liga para essas coisas enquanto está vivendo-as. Depois que passa, a gente começa a vê-las de maneira diferente. Talvez por causa da saudade, a gente acaba romantizando-as. Mas uma coisa é certa: eu me diverti pra caralho nesse período.
Hoje está tudo diferente: Quinho é evangélico e casou, Canário está casado e mudado, Leonardo sumiu, Marinho idem, Abel mudou-se de Cipó, Sandra está com um filho, Humberto virou Dr. Humberto psicólogo (rs), Jucilene, devido a distância, tem novos amigos, Nana também sumiu, Wladimir ainda o encontro e tomo várias, Cayo é vereador e evangélico, Maristela continua a velha Mari e Camila está com um filho....
É, o tempo passa. E infelizmente não vivemos na na Terra do Nunca. Ficou a saudade.

"O tempo passa e nem tudo fica
A obra inteira de uma vida
O que se move
E o que nunca vai se mover".

quarta-feira, abril 12, 2006

Tá foda trabalhar no Mc

O Mc Donald´s é uma lição não só de gerenciamento, mas também de vida. É um ótimo lugar para se trabalhar, pois você trabalha dentro de objetivos pré estabelcidos, tentando alcançá-los durante cada dia, para a cada semana e posteriormente, ao final do mês, analisar o seu resultado. Trabalha mês a mês visando o resultado do ano para aí receber o mais esperado: o PPR. A empresa é toda baseada em teorias e as pessoas são treinadas para executarem suas tarefas da melhor maneira possível. Par nós, gerentes, o que mais é falado é do trinômio de gerenciamento: Pessoas, Produtos e Equipamentos.
E é nesse trinômio onde está meu maior problema. Estou trabalhando em uma loja há mais de um ano no qual o material humano é escasso, muitas vezes raro, o que inviabiliza o gerenciamento. Por causa disso tenho tido dias muito ruins, principalmente ao longo desses últimos dois meses. Meu consultor tem visitado a Loja várias vezes e o que ele tem visto não o tem agradado. Claro que ele está certo, mas estou sendo penalizado por uma coisa pela qual não sou responsável.
Tenho um chefe que, desculpe-me, mas é muito fraco. Para falar a verdade, é o pior gerente com o qual trabalhei. O cara não tem perfil, não sabe falar em público, não sabe lidar com pessoas, não é carismático, é atrapalhado, tem dificuldades com números, mas mesmo assim é meu chefe. Me imagino tomando cerveja numa mesa de bar com ele. Para isso ele seria bem divertido. Mas como gerente de restaurante do Mc não dá. Para piorar, antes dele, vinha trabalhando com aquele que foi, sem dúvida, o melhor gerente com o qual trabalhei e obviamente as comparações são inevitáveis.
O problema maior nisso tudo é que meu consultor parece não enxergar. Ele acha que eu não quero mais trabalhar na empresa, estou de saco cheio, mas não percebe que na verdade estou de saco cheio dessa situação. Não de trabalhar no Mc, mas sim de trabalhar com as condições que me são dadas.
Por pouco hoje não fui demitido. Aliás, essa já é a quarta ou quinta vez, em menos de dois meses, que isso quase acontece. Estou cansado de ser o "patinho feio" da história. De receber uma culpa que não é minha.
Pediram para não desanimar, que as coisas se resolveriam. Estou aguardando. E na verdade aguardando com muita ansiedade, pois trabalhar no Mc está deixando de ser um prazer para ser uma tormenta.

terça-feira, abril 04, 2006

O sol


Ei dor...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei medo...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou

Ei dor...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei medo...eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá que eu vou
É pra lá que eu vou
E se quiser saber pra onde eu vou
Pra onde tenha sol, é pra lá vou
É pra lá que eu vou


Composição: Antônio Júlio Nastácia

segunda-feira, abril 03, 2006

Sonhos...

O que é o sonho e porque sonhamos? É o que gostaria de saber. Existem diversos livros que falam de interpretação de sonhos e outras baboseiras a qual não acredito. Outros dizem que o sonho é a realização daquilo que queremos muito. Minha avó dizia que o que sonhava era porque iria acontecer o inverso na vida real. Ou seja, se você sonhasse com alguém morrendo, era por que ela iria viver muito; se sonhasse com alguém pobre, ela iria ficar rica, etc, etc e tal.
Nesse momento prefiro a sabedoria da vovó. Tenho tido vários sonhos ruins e acordado assustado a noite inteira. Não sei por que mas por vários dias sonhei com o Rick sentado num banco plástico no banheiro, sentado, imóvel, sendo dado banho. Acordava assustado, voltava a dormir e a sonhar que minha irmã tinha perdido o filho. E assim passava a noite inteira acordando e voltando a dormir.
Essa noite estava dormindo muito bem. Até que acordei assustado com mais um sonho. Nesse, eu acordava, precisava falar com o Rick e então o sacudia. Só que ao tocá-lo, ele estava gelado e não acordava. Óbvio que o sacudi para me certificar que era um sonho. O mesmo olhou para mim com uma cara assustada, virou para o lado e voltou a dormir, roncando parecendo um porco (rs).
Bem, como falei, estou acreditando na sabedoria da vovó. Então, vida longa e saúde ao meu sobrinho e ao meu amigo.

Obs.: Essa foto escura foi tirada agora, do dorminhoco roncando (rs).

sexta-feira, março 31, 2006

Melhorei.

Estou melhor... As minhas crises existenciais, graças a Deus, passam rápido. E, para melhorar, ainda vi esse filme:

http://www.lifemotion.com.br/coracao/

Obrigado, Debinha.

quinta-feira, março 30, 2006

Situações...

Situações nesta vida me fazem sentir
Que não não sou forte a ponto de até resistir
Nesse terríveis momentos
Os maus pensamentos me querem levar
A um extremo de vida
Que meu equlibrio se deixa enganar.

Instantes que se prolongam
Tentando mudar
Tudo que já se fez de novo
Pois Cristo mudou.

Tentando hoje trazer
O que eu tento esquecer.
Sou vencedor
E niguém poderá me deter!

Pois eu sei que jamais eu provado serei
Além do que eu possa suportar.
E se ainda eu cair e pensar que é o fim
Jesus me ergue e segue junto a mim!

Jesus me ergue e segue, sim.
Jesus me ergue e segue, sim.
Jesus me ergue e segue junto a mim.

Composição: Paulo Cezar

(Às vezes parece que não vou suportar e, tal qual Jesus, penso: "Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?".
"Ainda bem que em meio as minhas trevas vejo a luz / Nessas horas mais difíceis sinto Cristo / Enxugando o rosto e motivando-me outra vez / A seguir em frente sem olhar para trás".)

domingo, março 26, 2006

Sobre meu pai...


É engraçado como, ao passar os anos, a gente enxerga fatos do passado de maneira diferente. Digo isso por que hoje, aos 28 anos, enxergo atitudes do meu pai como benéficas para mim.
Dizem que quando eu era criança, tinha medo de meu pai. Isso porque ele trabalhava em outra cidade e passava muito tempo fora de casa e, ao chegar, ao contrário dos meus irmãos, eu me isolava dele. Não sei o porquê, pois eu era muito pequeno e não me lembro, mas quando eu acostumava com a sua presença, ele novamente viajava.
Lembro-me do primeiro grande contato com ele quando fui para São Paulo e Rio de Janeiro e, após quase dois dias dentro de um ônibus, conversamos sobre coisas diversas. Isso era no início de minha adloescência e meu pai, durante essa fase, já estava mais presente em casa. Não concordava com muitas atitudes suas. Ele me proibia de beber, de ir para festas, de ficar na rua até alta madrugada e isso me irritava. Tinha inveja de muitos amigos que tinham essa total liberdade e perguntava-me porque meu pai não era assim.
Hoje entendo muita coisa:
1 - meu pai não estava em casa pois, se estivesse, não teria condição de me proporcionar muitas coisas as quais adiquiri. Ele estava longe fisicamente, mas estava com o coração perto da família. Estava fazendo aquilo porque queria o melhor para aquela mulher que ele tanto ama e para os seus filhos que eram a perpetuação da sua espécie;
2 - ele tem um conjunto de valores que não concordava. Para mim, hoje, vejo que esses valores são importantes. Tanta liberdade só serviu para deixar muitos de meus amigos perdidos na vida.
3 - ele é meu pai. E, independente de qualquer coisa, tudo o que fez foi por amor à família. Foi por nos amar. Foi por querer para nós o melhor do mundo.

Te amo, meu pai.

sexta-feira, março 24, 2006

Onde estão?

Fecho os olhos
Peço para Deus
Que possa atender
Esses versos e prosa
Que eu deixei
E eu não sei
Se irão
Tocá-lo em servidão

Abro a porta
Olho para o céu
Será que já choveu?
No jardim essas rosas
Que eu plantei
E eu não sei
Se estão
Mortas ou em botão

E eu me perguntei:
Onde estão
Todas as crianças
Todas as pessoas
ue eu já chamei
Que eu procurei aqui
E que eu tanto amei?
Onde estão meus irmãos?
Onde estão?

Abro os braços
Tanta emoção
Quando eu irei te ver?
No jardim, essas rosas
Que eu plantei
Mas eu não sei
Se irão
Abrir esses botões

Fecho os olhos
Peço para Deus
Que tente entender
Esses versos e prosa
Que eu não sei
Se eu deixei
Em vão
Tocar a imensidão

E eu me perguntei:
Onde estão
Todas as crianças
Todas as pessoas
Que eu já chamei
Que eu procurei aqui
E que eu tanto amei?
Onde estão meus irmãos?
Onde estão?

(Samuel Rosa / Nando Reis)

Quando eu vim de férias, em janeiro de 2005, eu vim ouvindo essa música e chorando.

quinta-feira, março 23, 2006

Meu momento atual

Te ver


Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como mergulhar num rio e não se molhar
É como não morrer de frio no gelo polar
É ter o estômago vazio e não almoçar
É ver o céu se abrir no estio e não se animar

Te ver e não te quererÉ improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como esperar o prato e não salivar
Sentir apertar o sapato e não descalçar
É ver alguém feliz de fato sem alguém pra amar
É como procurar no mato estrela do mar

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

É como não sentir calor em Cuiabá
Ou como no Arpoador não ver o mar
É como não morrer de raiva com a política
Ignorar que a tarde vai vadia e mitica

É como ver televisão e não dormir
Ver um bichano pelo chão e não sorrir
É como não provar o nectar de um lindo amor
Depois que o coração detecta a mais fina flor

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível

(Samuel Rosa / Lelo Zanetti / Chico Amaral)


Para aquela que é impossível ver e não querer...

quarta-feira, março 22, 2006

Tô de saco cheio...

Tô de saco cheio. Não aguento mais trabalhar do jeito que eu estou trabalhando. Faltam condições e sobram cobranças absurdas. Preciso mudar de vida...

sábado, março 18, 2006

Sobre minha irmã...


É engraçado como as tragédias unem as pessoas. Lembro-me exatamente do dia mais trite de minha vida, o dia em que Deus levou o meu irmão, e de como aquilo afetou mninha vida para sempre. Mas o que mais modificou foi a união da família e em especial, para mim, foi a união com minha irmã, Janice.
Não me lembro, na infância e início de adolescência, de nenhum momento de carinho entre nós. Brigávamos o tempo todo, por qualquer coisa, em qualquer lugar. Parecíamos dois estranhos que disseram que eram irmãos. Várias vezes disse que a odiava e várias vezes ouvi o mesmo. Parecia que a paz estava bem longe de existir entre nós.
Porém, depois que meu irmão partiu, tudo se modificou. Ficamos mais e mais unidos. Parece que percebemos o quanto éramos tolos e o quanto cada irmão é importante. Buscamos, a cada minuto, estarmos mais unidos e mais juntos. Procuramos nos abraçar mais e mais. E a cada momento, tentamos mostrar o quanto nos amamos.
Te amo, minha irmã do coração.

quinta-feira, março 16, 2006

O mundo tá muito bagunçado

Uma pessoa chamou-me hoje para ir até a casa dela após o trabalho. Perguntei o por quê e ela disse, sem pestanejar, "para a gente conversar e depois transar". Fiquei envergonhado. Não sabia onde enfiar a cara. Disse que iria, mas não fui. Por vários motivos, sendo um deles o profissional, já que envolver-se com uma subordinada não é nada recomendável. O outro seria o da moral, já que transformar-me em objeto (e daí a inversão de valores) de uma mulher tão fácil não me atraiu.
Acho que o mundo está muito bagunçado. As pessoas estão perdendo a noção de valor e de moral. Ela mora com a irmã e o irmão e mesmo assim eu, um estranho para eles, iria dormir na casa dela. As pessoas estão esquecendo da química que deve existir entre as pessoas. O sexo é parte fundamental de um relacionamento, mas daí começar um relacionamento pelo sexo é começar da maneira errada. É morrer no sexo. Ou, como ela mesmo disse, é conversar e depois transar, para depois, se foi bom, talvez repetir a dose.
Não estou aqui bancando o retrógrado. Faço parte dessa bagunça, aproveito ao máximo, mas hoje meu senso moralista está à flor da pele. Rejeitei o convite por que sei que amanhã ele poderá e será refeito. Não quero dizer que sou um astro de cinema que tem todas as mulheres aos seus pés, mas quando se é gerente, as pessoas te olham diferente.
Mas porque estou escrevendo sobre isso? Sinceramente não sei. Mas que o mundo está bagunçado, a isso está. Onde é que isso vai dar? Não sei. Ou melhor, sei. Com certeza, na próxima oportunidade, meu senso moralista já terá desaparecido, já que ele raramente aparece e dura pouco tempo.Aí será a vez de aproveitar a bagunça na qual estou inserido. Afinal, vim à Terra a passeio e tenho que aproveitar a vida ao máximo.